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domingo, 20 de setembro de 2026

Tradição gaúcha aquece comércio não só em setembro, mas no ano todo

Raynieri destaca que setembro representa o 'período de colheita' / TÂNIA MEINERZ / JC

O que faria uma empresa atacadista mudar de perfil e vender no varejo, durante um único mês no ano? A resposta é simples: aumento no faturamento, incremento no número de clientes e a possibilidade de fechar novas parcerias e negócios. É o que acontece todo o mês de setembro com a Confraria Crioula, empresa do município de Cotiporã, que se remodela para aproveitar o aquecimento nas vendas de produtos tradicionalistas durante as festividades Farroupilha.

Raynieri Confraria Crioula - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
“Nosso período de safra vai de fevereiro a agosto, seis meses antes de colhermos os frutos extraordinários do mês de setembro, afirma o gerente comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar.
 
O mesmo acontece com outros tantos lojistas que focam seus negócios em elementos do tradicionalismo gaúcho, da pilcha ao chimarrão, e que registram incremento nas vendas antes mesmo do início oficial da Semana Farroupilha, de 13 a 20 de setembro.
 
Uma pesquisa do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) mostra que 89% dos lojistas que comercializam artigos ligados à cultura gaúcha já registram procura pelos produtos, índice 5,6 pontos percentuais superior ao observado no período em 2025.
 
Além de antecipar as compras, o consumidor também deve desembolsar mais: a expectativa dos lojistas ouvidos na pesquisa do Sindilojas é de um tíquete médio de R$ 362,50 neste ano, alta nominal de 11,5% em relação a 2025, apesar de o cenário econômico estar desfavorável para grandes volumes de compras.
 
Para 44,4% dos entrevistados, o movimento já é maior do que no ano passado. “Por mais que nós tenhamos essa dicotomia na questão da economia, temos uma cultura gaúcha forte. É pela nossa roupa que demonstramos essa cultura: um lenço, uma boina, uma pilcha, uma faca, o churrasco ou o mate. Quando a paixão entra em cena, às vezes ela não tem muito nexo. Isso mexe com o comércio e faz as pessoas quererem algo diferente”, afirma o vice-presidente do Sindilojas, Tarcísio Pires.
 
O levantamento da entidade mostra ainda que a procura concentra-se principalmente em itens que compõem a indumentária tradicional. A bombacha aparece como o produto mais citado pelos lojistas, mencionada por 66,7% dos entrevistados. Na sequência, estão as alpargatas, com 44,4%, e camisa ou polo, lenço e chapéu ou boina, todos apontados por 33,3%. Um dado que chama atenção é a presença da pilcha infantil, citada por 33,3% dos comerciantes. É a primeira vez que o item aparece na pesquisa, sinalizando uma ampliação da demanda para o público infantil.
 
A cadeia ligada ao chimarrão também participa desse movimento. Erva-mate, chás, cuia e bomba foram citados por 22,2% dos lojistas, mesmo percentual registrado para vestidos de prenda.
 
Na avaliação do presidente do Sindilojas Porto Alegre, Arcione Piva, o comportamento do consumidor evidencia que a tradição permanece sendo transmitida entre gerações e produz efeitos também sobre a atividade econômica.
 
“Quando a tradição ganha as ruas, o comércio também sente esse movimento. É uma combinação que valoriza a nossa cultura e movimenta a economia local”, afirma.
 
A pesquisa revela ainda que o aquecimento nas vendas acompanha os locais onde são realizados os acampamentos farroupilhas, mas também pontos fora deles, com uma característica de demanda bem pulverizada.
“Eu acredito que isso acontece pela cidade, não é só no Parque da Harmonia. Temos acampamentos em outras regiões, como a Restinga e a Região Metropolitana, além das escolas, que também criam seus ambientes durante essa semana. O Parque é um polo, mas esse fomento da cultura e o movimento do comércio se espalham pela cidade”, avalia Pires.
 

Atacado altera perfil de comercialização para aproveitar Acampamento Farroupilha

Durante o mês de setembro, impulsionada pelas comemorações da Semana Farroupilha, a Confraria do Gaúcho, uma confecção de roupas gauchescas do município de Cotiporã, prioriza as vendas no varejo para aproveitar o movimento do Acampamento Farroupilha.
 
“É um momento de grande rentabilidade e de contato direto com o público final, em busca de negócios dentro do acampamento e fora dele também, no decorrer do ano”, afirma o diretor comercial da empresa, Raynieri Piber Cezar. Essa relação ajuda a explicar como o impacto econômico de setembro ultrapassa os limites físicos dos eventos tradicionalistas.
 
O consumidor que compra uma peça no Acampamento pode voltar a procurar o mesmo produto meses depois em uma loja de sua cidade, mantendo a demanda na cadeia mesmo após o encerramento da Semana Farroupilha. Entre os produtos mais vendidos, estão as bombachas e as alpargatas que viraram moda, especialmente entre as novas gerações.
 
A loja no acampamento é usada também como uma espécie de laboratório para observar diretamente o consumidor final e identificar preferências, mudanças de modelagem e tendências que podem orientar a produção do ano seguinte.
 
“Fidelizamos clientes que, posteriormente, buscam os produtos da marca em centenas de lojas parceiras espalhadas pelo Estado durante o restante do ano”, revela Cezar.
 
A preparação das peças para o boom de setembro começa meses antes. A empresa trabalha com uma espécie de “safra” de seis meses que antecede o período de maior movimento. A operação envolve cinco fábricas, além de fornecedores terceirizados, e mobiliza profissionais de diferentes etapas da cadeia produtiva, da costura à fabricação de calçados. Segundo o gerente, a empresa precisa ampliar a contratação de trabalhadores temporários e acionar parceiros para conseguir atender à demanda concentrada.
 
Como a procura não mantém a mesma intensidade durante todo o ano, a empresa estabelece acordos de compra com parceiros para garantir uma produção mínima
mesmo nos períodos de menor movimento.
 
“Atendemos mais de 300 lojas em todo o Estado, além de termos clientes em Santa Catarina e no Paraná”.

O proprietário da loja Etilo & Tradição, Vilson Tadeu Ferreira, localizada permanentemente no Parque da Harmonia, conta que o faturamento é cerca de 70% superior em setembro, em comparação com os demais meses do ano.
 
“Mas procuramos estabelecer um calendário comercial bem diversificado, com diferentes ciclos de consumo ao longo do ano, para reduzir a dependência exclusiva da Semana Farroupilha”, explica.
 
A empresa possui quatro pontos de operação: além da loja no parque, a matriz em Boqueirão do Leão, e duas lojas itinerantes que acompanham eventos, festas, rodeios e acampamentos. “Paralelo a isso, o público jovem nos procura muito via WhatsApp e Instagram, em busca de indumentária gaúcha, kits para churrasco e mate, além das lembrancinhas do Rio Grande do Sul”, conta o comerciante.

 

Comércio próximo ao Harmonia também aproveita alta das vendas em setembro

O movimento gerado pelo Acampamento Farroupilha não fica restrito aos estabelecimentos instalados dentro do Parque da Harmonia. Lojas localizadas nas proximidades também aproveitam o aumento da circulação de consumidores em setembro. É o caso da Pithan Pilchas, confecção especializada em indumentária gaúcha que mantém uma loja próxima ao Gasômetro.

Simone Pithan, da Pithan Pilchas. Arquivo Pessoal/JC/Divulgação 
 
Para a proprietária da empresa, Simone Pithan, setembro é um dos períodos mais importantes do ano para o negócio, que se prepara ao longo dos meses para atender ao aumento da procura.
 
“O Natal nosso é agora”, afirma, destacando que parte significativa do que foi produzido e estocado durante o ano encontra mercado justamente neste período.
 
Embora não tenha uma estimativa percentual para o aumento das vendas, ela relata que a demanda cresce de forma expressiva nas semanas que antecedem a Semana Farroupilha, quando consumidores deixam para a última hora a escolha de cor, modelo e tamanho das peças.
 
A localização próxima ao Parque Harmonia contribui para captar esse fluxo, mas a estratégia da empresa é diferente da adotada pelos pontos comerciais dentro do Acampamento. A loja aposta em atendimento personalizado, com espaço para que clientes possam experimentar peças com mais conforto e receber orientação sobre a indumentária. A proposta ganha importância porque a empresa trabalha com diferentes modelos de bombacha e precisa explicar as características e usos de cada peça.
 
O principal produto comercializado é a bombacha, procurada tanto por homens quanto por mulheres. A empresa também trabalha com vestidos de prenda, peças sob medida, lenços, cintos e outros acessórios da indumentária. Há ainda uma aposta em modelos mais modernos, que aproximam a roupa tradicional do uso cotidiano. "Consumidores que não têm ligação direta com o tradicionalismo também passaram a incorporar a bombacha ao guarda-roupa pela combinação de conforto e estilo”, diz Simone.

Além do consumidor local, a loja também recebe compradores de fora do Estado interessados na cultura gaúcha. A empresária relata casos de turistas que procuram peças por curiosidade ou depois de experimentar a indumentária e incorporá-la ao dia a dia. Dessa forma, setembro amplia não apenas o volume de vendas, mas também o alcance de um mercado que combina tradição, turismo e consumo de moda.

Concorrência com Acampamento Farroupilha faz movimento cair em loja do Mercado Público


No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, com a irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff. Arquivo Pessoal/Divulgação/JC 
 
Se para parte do comércio gaúcho setembro representa o auge das vendas associadas à tradição, para alguns estabelecimentos especializados em produtos típicos o cenário é diferente. No Mercado Público de Porto Alegre, o comerciante Lair Groff Júnior, gerente do Rancho Gaúcho, que trabalha com erva-mate, cuias, bombas e outros artigos ligados ao chimarrão, percebe uma redução do movimento no período em que a programação Farroupilha ganha força.
 
Na avaliação dele, o Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, acaba atraindo parte dos consumidores que tradicionalmente circulariam pelo Centro.
 
“Eu acho que o Harmonia nos puxa muito a clientela para lá. As pessoas já vão direto para lá”, afirma.
Apesar de manter uma clientela constante e de contar com as vendas pelas redes sociais e pelo comércio eletrônico, o comerciante diz que setembro não está entre os períodos de maior movimento para seu negócio. A principal temporada de vendas ocorre entre abril e agosto, justamente durante os meses mais frios, quando aumenta o consumo de chimarrão e também cresce o fluxo de turistas em Porto Alegre.
 
“Eu trabalho bem de abril a agosto. Essa é a minha temporada. É o frio, é o chimarrão que aumenta”, explica.
 
Setembro, outubro e novembro são apontados como meses de queda mais acentuada. O movimento volta a ganhar força em dezembro e janeiro, impulsionado pelas férias e pela presença de turistas na Capital. A lógica mostra que a relação entre tradição gaúcha e consumo não é uniforme entre os diferentes segmentos. Embora o chimarrão esteja entre os produtos associados à identidade cultural do Estado e apareça entre os itens movimentados pelo Mês Farroupilha, o comportamento do consumidor pode variar de acordo com o canal de venda e a localização do estabelecimento.
 
A concorrência, porém, não significa ausência de vendas. A loja mantém uma clientela regular durante todo o ano e encontrou nas redes sociais uma forma de ampliar o alcance dos produtos. O comerciante também mantém um e-commerce e passou a utilizar o TikTok como ferramenta de divulgação, em uma estratégia que aproximou a empresa de consumidores mais jovens. A presença digital ganhou força especialmente após a enchente de 2024, quando a estrutura anterior do negócio foi destruída.
 
Segundo o comerciante, a empresa teve perdas expressivas e precisou se reconstruir. A partir daquele momento, sua irmã Graziela Groff e a sobrinha Mariana Groff passaram a atuar de forma mais intensa na produção de imagens e conteúdos para as redes sociais, criando uma nova frente comercial para a empresa. O resultado foi a formação de uma relação mais direta com consumidores que, muitas vezes, chegam ao estabelecimento procurando produtos que conheceram nas redes.
 
“Virei influencer. As pessoas me param na rua para pedir uma foto”, diz, Groff Júnior.
 
Do lado de dentro dos portões do Harmonia, a Top Cuias marca presença há quatro anos com um estande focado no consumo do chimarrão.
 
“Com certeza setembro é mês com maior venda pelas festas e também pelo foco da mídia no acampamento”, afirma o proprietário da empresa Adriano Gregory.

Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC 
 
Segundo o comerciante, durante o período, ocorre um incremento de 50% nas vendas de acessórios para chimarrão, como cuias, bombas, mateiras, térmicas, enfeites de chimarrão, bombas de aço inox e uma variedade de erva-mate gaúcha, uruguaia e argentina.

“Estamos com dois lançamentos na feira: o Lumi Chima, uma luzinha de led que encaixa na bomba e ilumina o mate à noite, e a bomba de aço inox com 2 mil furos”, conta Gregory.


Adriano Top Cuias - Acampamento Farroupilha 2026 TÂNIA MEINERZ/JC

CONSUMO FARROUPILHA

  • 89% dos lojistas já registram procura por artigos gauchescos, antes do início da Semana Farroupilha.
  • +5,6 pontos percentuais é o avanço em relação ao ano passado.
  • R$ 362,50 é o tíquete médio esperado para este ano.
  • +11,5% é a alta do tíquete médio em relação a 2025.
  • 44,4% dos lojistas percebem movimento maior nas vendas do que no ano passado.
  • 66,7% apontam a bombacha entre os produtos mais vendidos.
  • 33,3% citam a pilcha infantil, que aparece pela primeira vez na pesquisa.
  • 44,4% apontam alpargatas entre os itens de maior procura.
  • 33,3% citam camisas, lenços, chapéus e boinas.
  • 22,2% registram procura por erva-mate, chás, cuias e bombas.
  • 22,2% citam o vestido de prenda entre os produtos procurados.
  • 66,7% dos comerciantes esperam aumento das vendas até o fim das festividades.
Fonte: pesquisa do Sindilojas
 
Fonte! Chasque (post) de Ana Esteves, publicado no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul, no dia 18 de setembro de 2026: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/semana-farroupilha/2026/09/1263239-tradicao-gaucha-aquece-comercio-nao-so-em-setembro-mas-no-ano-todo.html  

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Acampamento Farroupilha: começa nesta segunda-feira o prazo de pagamento da taxa de inscrição dos piquetes

O evento acontece de 1º a 21 de setembro. Foto: César Lopes/PMPA

Porto Alegre! Um dos principais festejos do calendário cultural do Rio Grande do Sul, o Acampamento Farroupilha de Porto Alegre terá o pagamento da taxa de inscrição dos piquetes homologados nesta semana. Na edição 2025, os inscritos devem realizar o pagamento nesta semana, entre a segunda (7) e a sexta-feira (11), na rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, 333 (Parque Harmonia – Estância Harmonia). O horário de funcionamento será das 9h às 18h, sem fechar ao meio-dia.

O evento acontece de 1º a 21 de setembro. Para piquetes tradicionais, R$ 1.200 à vista ou em duas vezes no cartão de crédito. Para piquetes associações/empresas, R$3 mil à vista ou em duas vezes no cartão de crédito.

Os valores são destinados ao custeio de consumo de energia elétrica, consumo de água, recolhimento de resíduos sólidos e sanitários, de forma rateada por metro quadrado ocupado entre todas as estruturas montadas. Os banheiros químicos estão sendo licitados pela prefeitura.

A documentação necessária no ato de pagamento consiste em um documento original com foto válida em território nacional; comprovante de endereço e ata da patronagem do piquete válida.

O pagamento da taxa de inscrição e a assinatura do contrato deverão ser efetuados somente pelo representante legal do piquete. As tarifas administrativas, juros de parcelamento/pagamento em cartões de crédito e/ou débito serão de responsabilidade dos locatários.

O Acampamento recebeu 253 inscrições de piquetes para a edição deste ano. São 62 manifestações de interesse a mais que no evento do ano passado, o que representa uma alta de 35%. Já a montagem das estruturas tem início marcado para os dias 9 de agosto (números ímpares) e 16 de agosto (pares).

Homenagens

Natural de Uruguaiana (Fronteira-Oeste) e radicado em Porto Alegre, Darcy Fagundes (1924-1984) foi poeta, declamador, ator e comunicador, além de um dos pioneiros do tradicionalismo gaúcho no rádio, televisão e cinema. Dentre suas facetas mais conhecidas está a de apresentador do programa radiofônico “Grande Rodeio Coringa”, na antiga rádio Farroupilha.

Já o patrono da edição 2025 do Acampamento é Mário Barboza de Mattos, engenheiro agrônomo, jornalista, escritor e artista plástico que esteve presente nos primórdios do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG). Ele completará 101 anos de idade no dia 12 de dezembro.

“Natural de Pelotas [Região Sul do Estado] e primo do folclorista Barbosa Lessa [1929-2002], Mattos tem uma trajetória marcada por contribuições significativas à cultura do Estado”, ressaltou a Comissão dos Festejos ao escolher o homenageado.

Já a canção-tema é  “O Vaqueano do Rádio”, com letra de Fernando Espindola e música de Lucas Mello e Thomas Facco, em interpretação do grupo Alma Gaudéria. Sua escolha se deu entre 11 concorrentes, inscritas a partir de chamada pública e com seleção no dia 29 de maio, com os votos dos integrantes do colegiado responsável pela organização do evento, com o apoio do Instituto Estadual de Música (IEM-RS).

Fonte! Chasque publicado na edição eletrônica do Jornal O Sul de Porto Alegre - RS, em 06 de julho de 2025: https://www.osul.com.br/acampamento-farroupilha-inicia-nesta-segunda-o-prazo-para-pagamento-da-taxa-de-inscricao-dos-piquetes/ 

sábado, 5 de agosto de 2023

Após liberação judicial, recomeçam as obras no Parque da Harmonia, em Porto Alegre

Trabalhos pararam por cinco dias, devido a ação popular apontando dados ambientais.

Foto: Divulgação/Ser Ação

Um dia após o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) autorizar a retomada das obras do Parque da Harmonia, no Centro Histórico de Porto Alegre, a concessionária GAM3 Parks reiniciou neste sábado (5) os trabalhos na área, que sediará em setembro mais uma edição do Acampamento Farroupilha – o evento estava ameaçado pela paralisação, iniciada em 31 de julho.

O sinal-verde foi dado pelo desembargador Marcelo Bandeira Pereira, da 21ª Câmara Civel do TJ-RS, que apreciou recurso interposto pela Procuradoria-Geral do Município (PGM).

Na decisão, o magistrado ressaltou “a existência de prejuízo em caso de paralisação das obras, especialmente considerando-se que a supressão vegetal e a terraplanagem estão praticamente concluídas, restando os arremates que trarão os benefícios inicialmente propostos”.

Ele aceitou o argumento de que não houve exame técnico apontando retirada de árvores em desacordo com o contrato entre a prefeitura e a empresa responsável pela gestão do parque:

“A decisão judicial proferida na origem equivocou-se ao afirmar que as obras levarão praticamente à extinção de 1/3 das árvores do Harmonia. Ao analisar a denúncia, o Ministério Público descartou a necessidade de tomada de medidas judiciais ou interrupção das obras”.

Entenda

Uma ação popular havia sido movida contra a prefeitura e a concessionária para suspender os trabalhos no parque, inaugurado na primeira metade da década de 1980. No dia 30 de julho, a juíza-substituta Gabriela Dantas Bobsin, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, atendeu ao pedido.

No processo, os autores apontaram “diversos danos ambientais, paisagísticos e ao patrimônio cultural” causados pela empresa no decorrer da obra. A denúncia também acusa a administração municipal de omissão em fiscalizar trabalhos que estariam extrapolando o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental.

Concessão

Composto pelas empresas Grupo Astal e 3M Produções e Eventos), o consórcio GAM3 Parks foi anunciado em novembro de 2020 como vencedor da licitação para gestão do Harmonia e do Trecho 1 da orla do Guaíba por 35 anos. O prefeito de Porto Alegre na época era Nelson Marchazen Júnior, em último ano de mandato.

A administração municipal estimou na época a concessão garantirá R$ 280 milhões em investimentos na revitalização do Parque e na manutenção da área ao longo de todo o contrato – o documento prevê que os cofres da cidade recebem 1,5% do faturamento anual obtido pela concessionária com o negócio.

No Parque da Harmonia, estão previstos R$ 31 milhões pela concessionária em melhorias nos sanitários, no sistema de infraestrutura urbana e no centro de ventos Casa do Gaúcho. “Essas obras devem ser concluídas em até três anos após a obtenção das licenças”, noticiou na época o jornal “O Sul”.

Fonte! Chasque (post) de Marcello Campos, publicado no jornal eletrônico O Sul de Porto Alegre (RS), no dia 05 de agosto de 2023. Abra as porteiras clicando em https://www.osul.com.br/justica-libera-obras-no-parque-harmonia-em-porto-alegre/

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Obras no Parque Harmonia, em Porto Alegre, continuam suspensas

No despacho, a juíza argumenta que os documentos juntados são posteriores ao início das obras no parque.

Foto: Divulgação

Em novo pedido de reconsideração, desta vez formulado pelo município de Porto Alegre, a juíza de Direito Letícia Michelon, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, manteve suspensas as obras no Parque Harmonia. A decisão foi publicada no final da tarde dessa quinta-feira (3).

A magistrada considerou que os fundamentos da decisão visam à integridade do meio ambiente, bem de uso comum do povo e protegido pelo artigo 225 da Constituição Federal, “porquanto presentes a probabilidade do direito e o perigo de danos irreversíveis – artigo 300 do Código de Processo Civil – para concessão da medida liminar”.

Caso

Uma Ação Popular foi movida contra o município de Porto Alegre e a empresa GAM3 Parks SPE S.A, pleiteando a suspensão dos trabalhos no parque. No último dia 30, a juíza substituta Gabriela Dantas Bobsin, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre, atendeu ao pedido.

De acordo com a acusação, há “diversos danos ambientais, paisagísticos e ao patrimônio cultural” causados pela empresa concessionária do parque. A denúncia também alega a omissão do município em fiscalizar as obras que estariam extrapolando o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA).

A liminar foi mantida pela Juíza Letícia Michelon, na terça-feira (1°), após a empresa pedir reconsideração.

Novo pedido

No novo pedido, o município alegou não haver o perigo de dano alegado, mas sim um periculum in mora (perigo da demora) inverso, decorrente da suspensão das obras. Alegou o cumprimento do seu dever de fiscalização enquanto poder concedente. ​E requereu, ao final, que fosse reconsiderada a determinação de suspensão dos trabalhos no local.

Ao analisar o pleito, a juíza Letícia Michelon considerou que alguns dos documentos juntados são posteriores ao início das obras no parque. E que a documentação, na sua quase totalidade, foi produzida pela empresa concessionária. “São, no geral, relatórios sucintos e, para este momento processual, no qual a cognição é necessariamente sumária, inaptos a convencer este juízo quanto à necessidade de alterar a decisão liminar”, afirmou.

Pedido ao TJ

Na tarde desta quinta-feira, a prefeitura de Porto Alegre entrou com Agravo de Instrumento contra decisão liminar que suspendeu as obras. O recurso, que será julgado pelo desembargador Marcelo Bandeira Pereira, foi interposto um dia depois do pedido de reconsideração feito à 10ª Vara da Fazenda Pública e negado nesta tarde.

De acordo com o procurador-geral adjunto de Domínio Público, Urbanismo e Meio Ambiente, Nelson Marisco, a medida foi tomada com o objetivo de obter autorização para reinício das obras o mais rápido possível. A liberação também é necessária para a montagem do Acampamento Farroupilha, prevista para iniciar nos próximos dias.

Fonte! Chasque (post) publicado no jornal eletrônico O Sul de Porto Alegre (RS), no dia 03 de agosto de 2023. Abra as porteiras clicando em https://www.osul.com.br/obras-no-parque-harmonia-em-porto-alegre-seguem-suspensas/


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Concessionária do Parque da Harmonia faz manifestação sobre a realização do Acampamento Farroupilha

 

O início das montagens para o evento estava prevista para iniciar no dia 12 de agosto

O início das montagens para o evento estava prevista para iniciar no dia 12 de agosto /Gabriel Poester/Ser Ação/Divulgação JC

O consórcio responsável pela administração do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, a GAM3 Parks, emitiu uma nota nesta terça-feira (01) em relação a realização do Acampamento Farroupilha no parque, que teve as obras de revitalização suspensas pela justiça na última segunda-feira (31). De acordo com o material disponibilizado pelo consórcio, o início das montagens para o evento estava prevista para iniciar no dia 12 de agosto, mas enfrentarão um entrave devido a paralisação das obras no Parque da Harmonia, como é conhecido. 

• LEIA TAMBÉM: Justiça suspende obras no Parque da Harmonia

"A liminar imposta e a subsequente paralisação das obras levantam preocupações para a atual edição do evento, uma vez que as áreas de infraestrutura e drenagem, fundamentais para o acampamento dos piqueteiros durante o evento, serão afetadas", comentou a empresa em nota.

A GAM3 Parks indicou que não existem perspectivas para retomada do projeto. "As autoridades não especificaram o prazo exato da suspensão das obras, agrando a situação. Outro ponto preocupante é a falta de definição entre o que consiste a obra de revitalização e as obras de montagem do próprio Acampamento Farroupilha."

Ao longo da manifestação, o consórcio indica que muitas das etapas já realizadas da obra estavam sendo aplicadas para atender as necessidades e melhorar o ambiente para realização do evento tradicionalista. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) emitiu uma nota sem escolher lados na disputa, mas ressaltando a insatisfação da entidade com a possibilidade de atraso no início das obras.
 
Fonte! Chasque (reportagem) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, em 01 de agosto de 2023, por João Antônio da Silva. Abra as porteiras clicando em: https://www.jornaldocomercio.com/geral/2023/08/1117322-concessionaria-do-parque-da-harmonia-faz-manifesta-sobre-a-realizacao-do-acampamento-farroupilha.html

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Prefeitura vai recorrer de liminar que suspendeu obras no Parque Harmonia

Secretário teme prejuízos ao Acampamento Farroupilha, realizado no local de 1 a 20 de setembro /LUIZA PRADO/JC

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) vai recorrer da liminar que determinou a suspensão imediata das obras de revitalização do Parque da Harmonia. Uma ação popular pediu a interrupção dos trabalhos após o corte de 103 árvores no local. Na decisão, a juíza Gabriela Dantas Bobsin, da 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, apontou omissão por parte do município na fiscalização do projeto executado pela Gam3 Parks, empresa concessionária da área. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus), Germano Bremm, todo o licenciamento para a obra seguiu as normas urbanísticas ambientais.

• LEIA TAMBÉM: MTG lamenta situação das obras do Parque da Harmonia

“Nós vamos recorrer. Entendemos a importância e o papel dos órgãos de controle e assim como fizemos junto ao Ministério Público, Câmara de Vereadores e recentemente com a demanda do Tribunal de Contas, iremos prestar todas as informações ao Judiciário”, afirma. O titular da Smamus, responsável pela gestão dos parques e áreas verdes, lembra que até então não houve a oportunidade de defesa, de juntada de documentos do poder público do município. “Essa foi uma decisão em caráter liminar com base nas informações trazidas pelos proponentes. No estado democrático de direito, essa é a oportunidade do município de fazer a sua respectiva defesa, instruir com a documentação, e temos clareza da legalidade e toda a transparência desse ato”, garante.
 
Bremm diz que o corte de árvores estava previsto no projeto de revitalização do Harmonia. Em nota, a secretaria informou que dos 1.253 exemplares que o local abrigava quando o espaço foi concedido à Gam3 Parks, em 2021, a concessionária retirou 103 árvores. Deste total, conforme a Smamus, 15% apresentavam problemas fitossanitários e riscos para os frequentadores do parque. 
"Além disso, 45% eram espécies exóticas, que não são naturais de Porto Alegre, uma vez que o Harmonia foi criado por meio de aterramento. Para cada planta removida, cinco nativas serão plantadas pela concessionária para preservar o equilíbrio ambiental. Neste caso, a compensação proporcionará em torno de 500 exemplares de espécies nativas", informou a pasta.
A interrupção dos trabalhos no local, alerta Bremm, pode trazer prejuízos à realização do Acampamento Farroupilha, realizado entre 1 e 20 de setembro. “Estamos muito próximo ao mês de setembro, com previsão de logo em seguida dar início à montagem dos piquetes e com uma obra em curso de drenagem de infraestrutura para viabilizar a estrutura. Essa interrupção naturalmente afeta a organização de implantação do Acampamento Farroupilha e coloca em risco a realização do evento”, ressalta o secretário.
 
Jaqueline Custódio, advogada que assina a ação popular, diz que o recurso impetrado pela prefeitura já era esperado. Agora, cabe ao tribunal decidir se permanece a liminar que determina a suspensão das obras ou a execução do projeto pode ser retomada.
 
“A grande questão que a juíza levou em consideração foi a repercussão que está tendo, a mobilização das pessoas pela proteção do meio ambiente e daquele lugar, o que não exclui de nenhuma forma a presença da Semana Farroupilha e do MTG. Queremos que as coisas sejam feitas dentro da legalidade e do projeto que foi aprovado, com todas as considerações a partir da tramitação nas secretarias. Isso tem que persistir porque é regra do jogo, não pode mudar no meio da partida”, afirma.
 
Mestre em Museologia e Patrimônio, Jaqueline diz que o grupo continuará acompanhando o caso juridicamente e se manifestando conforma os novos fatos. “A nossa expectativa é que a decisão da juíza está bem fundamentada, estamos com pensamento positivo “, ressalta.
 
Fonte! Chasque (reportagem) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, em 31 de julho de 2023, por Luciane Medeiros. Abra as porteiras clicando em: https://www.jornaldocomercio.com/geral/2023/07/1117138-prefeitura-vai-recorrer-de-liminar-que-suspendeu-obras-no-parque-harmonia.html

MTG lamenta situação das obras do Parque da Harmonia

Há risco de o evento tradicionalista atrasar devido às obras/ANA TERRA FIRMINO/JC

O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul (MTG) divulgou nota nesta segunda-feira (31) sobre a situação do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, conhecido como Parque da Harmonia, que passa por obras. A juíza Gabriela Dantas Bobsin da 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre concedeu uma liminar determinando a suspensão imediata dos trabalhos após ação popular que apontou diversos danos ambientais em decorrência da derrubada de 103 árvores no local pela Gam3 Parks.

Conforme uma publicação no Facebook do MTG, o grupo “não manifestará opinião sobre os acontecimentos por entender que o parque, local da realização do evento, tem um Gestor (GAM3), responsável contratual com a Prefeitura, pela realização”. O texto, no entanto, expõe o sentimento dos integrantes do MTG, representados pela presidente, Ilva Maria Borba Goulart, e pelo vice-presidente, Paulo Matukait.

“Como membro da Comissão Municipal, lamentamos profundamente todos os acontecimentos que envolvem um dos maiores eventos do nosso Estado. Entendemos que o acampamento, e os que realizaram a festividade desde 1987, não merecem passar por tal situação.” Há risco de atrasar o início do Acampamento Farroupilha deste ano por conta da paralisação da obra.

“Trabalhamos em parceria com a comissão municipal por mais de 20 anos (1999/2022) para que o acampamento saísse de um simples aglomerado de lonas multicores, para os galpões que conhecemos hoje, desfiles tematizados, e mais de um milhão de visitantes por edição. Temos a plena certeza de que tudo vai se resolver da melhor forma, basta que as partes tenham respeito e bom diálogo, pois foi desta maneira que conduzimos as negociações sempre que defendemos os interesses da cultura, dos acampados e das instituições envolvidas”, continua o manifesto.

Fonte! Chasque (reportagem) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, em 31 de julho de 2023, por Mauro Belo Schneider. Abra as porteiras clicando em:https://www.jornaldocomercio.com/geral/2023/07/1117143-mtg-lamenta-situacao-das-obras-do-parque-harmonia.html

Justiça suspende obras no Parque da Harmonia; prefeitura vai recorrer da decisão

Mais de 100 árvores foram derrubadas para as obras no local / Gabriel Poester/Ser Ação/Divulgação JC 

A juíza Gabriela Dantas Bobsin da 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre concedeu uma liminar determinando a suspensão imediata das obras no Parque da Harmonia. A decisão foi tomada após ação popular que apontou diversos danos ambientais em decorrência da derrubada de 103 árvores no local pela Gam3 Parks, empresa concessionária do parque, além de omissão da prefeitura de Porto Alegre na fiscalização dos trabalhos. A prefeitura já informou que vai recorrer da decisão. 

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“Os fatos noticiados pelos autores são gravíssimos e estão amparados por evidências de que a iniciativa privada, com a permissão do Município, promove verdadeira devastação em área do conhecido 'Parque da Harmonia', que conservava até então substancial número de espécies arbóreas e fauna que igualmente necessita ser alvo de proteção. As fotografias apresentadas demonstram que onde existia vegetação foi aberta uma 'clareira', com máquinas e implementos, inclusive retroescavadeira, agindo no local de modo a descaracterizá-lo totalmente”, diz o despacho assinado pela juíza.
 
No início de julho, diversos grupos se mobilizaram contra o corte de árvores no local pedindo a suspensão das atividades pela concessionária. Uma reunião na Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara de Vereadores debateu o tema, e na ocasião o Ministério Público descartou a paralisação das obras. 
Segundo a Gam3 Parks, o montante das árvores cortadas representa 8% do total das cerca de 1,2 mil  existentes na área. Foi autorizado o corte de 432 árvores.
 
O descumprimento da suspensão das obras acarretará o pagamento de multa diária. Em nota, a Gam3 Parks informou que tem total tranquilidade e comprometimento em demonstrar a idoneidade das obras em andamento. "O projeto do Parque Harmonia foi concebido com o objetivo de oferecer à comunidade um espaço público revitalizado, harmonioso e multifuncional, com foco na preservação e na promoção de atividades culturais. Desde o início, todas as etapas do projeto foram conduzidas com máxima transparência e dentro das diretrizes legais e ambientais vigentes", diz o texto (leia a íntegra no final da reportagem).
 
O vereador Marcelo Sgarbossa, um dos autores da ação popular, considera a liminar uma vitória. Ele destaca que, mesmo com todas as manifestações na Câmara de Vereadores, no local, reuniões e reportagens em jornal onde arquitetos alegaram que o projeto foi alterado sem autorização, as obras 'continuavam a mil por hora'.  "A decisão vem para trazer um debate sobre o que está acontecendo. A olhos visto, está ocorrendo uma verdadeira devastação, é visível", afirmou. 
Ele critica um dos argumentos apresentados por defensores do corte de árvores. “Era um aterro onde foram plantadas as árvores, mas se tornou um patrimônio paisagístico ambiental e cultural. Então porque foi criado pelo homem pode tirar”, questiona. O vereador elogia a postura da juíza em reconhecer a área do Parque da Harmonia como um patrimônio ambiental e cultural da cidade. “Os tradicionalistas e o pessoal dos piquetes devem estar muito incomodados com essa devastação em um lugar que é da cultura gaúcha e não só porto-alegrense”, salienta. 
 
Embora seja possível a Gam3 Parks ingressar com recurso para derrubar a liminar, Sgarbossa espera que a empresa não recorra e que agora, com a questão mediada pela Justiça, se possa entender o tamanho da destruição na área. 

Logo após a decisão, a Procuradoria-Geral do Município anunciou que vai recorrer da liminar. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade, Germano Bremm, todo o licenciamento para a obra seguiu as normas urbanísticas ambientais. "Entendemos a importância e o papel dos órgãos de controle e assim como fizemos junto ao Ministério Público, Câmara de Vereadores e recentemente com a demanda do Tribunal de Contas, iremos prestar todas as informações ao Judiciário", afirma.
 
Leia a íntegra da nota da Gam3 Parks:
"A GAM3 Parks, responsável pela concessão do parque Maurício Sirotsky Sobrinho e trecho 1 da orla, manifesta-se com total tranquilidade e comprometimento em demonstrar a idoneidade das obras em andamento.

O projeto do Parque Harmonia foi concebido com o objetivo de oferecer à comunidade um espaço público revitalizado, harmonioso e multifuncional, com foco na preservação e na promoção de atividades culturais. Desde o início, todas as etapas do projeto foram conduzidas com máxima transparência e dentro das diretrizes legais e ambientais vigentes.

Encaramos essa medida como mais um passo no processo de análise e avaliação, acreditando que, ao final, a justiça reconhecerá a validade e a relevância deste empreendimento para a comunidade.

No entanto, é importante destacar que a paralisação das obras poderá impactar na infraestrutura para a realização do Acampamento Farroupilha.

Nosso compromisso com a população é pautado pela cooperação e diálogo, e estamos à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos necessários, buscando a rápida resolução dessa questão para retomada das obras e entrega a altura para realização do maior evento gauchesco do mundo.

Reiteramos nossa confiança no trabalho sério e responsável realizado até o momento, contando com o apoio e compreensão de todos os envolvidos no processo."
 
Fonte! Chasque (reportagem) publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre - RS, em 31 de julho de 2023, por Luciane Medeiros. Abra as porteiras clicando em: https://www.jornaldocomercio.com/geral/2023/07/1117123-liminar-determina-a-suspensao-imediata-das-obras-no-parque-da-harmonia.html 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Gaúchos comemoram o feriado de 20 de Setembro sem roda de chimarrão

Atividades e shows ocorreram de forma virtual em 2020 / MTG/DIVULGAÇÃO/JC

Ao longo de sete dias, o Acampamento Farroupilha, em Porto Alegre, costumava transformar a paisagem do Parque Harmonia. No ano em que a Guerra dos Farrapos completa 185 anos, peões e prendas ficaram em casa.
 
Por isso, palcos foram montados com estrutura de estúdio de televisão para transmitir a programação pela internet. Todavia algumas tradições permanecem iguais. A chama crioula permaneceu acesa 24h por dia. Ela saiu da cidade de Guaíba e atravessou o Guaíba a bordo para chegar à capital gaúcha - mesmo trajeto dos revolucionários na tomada de Porto Alegre.
 
"Temos que ter o respeito pela vida e pela saúde. Assim, não temos público. Apenas os artistas estão presentes para transmitir para as pessoas que estão em casa", explica a presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Gilda Galeazzi.
 
Ela é a primeira mulher que preside a entidade em 53 anos de movimento. "O movimento é conservador pela sua essência, mas tem que evoluir. O movimento se adequou a essa situação com a representatividade das mulheres", explica a presidente.
 
Com a pandemia, o costume de compartilhar chimarrão em uma roda, como manda o costume, não é mais possível. A etiqueta sanitária recomenda o chimarrão individual. "Sentimos falta da roda de chimarrão, do convívio, dos apertos de mão. A Semana Farroupilha é um momento de consagração, esperado por muita gente", explica Galeazzi.
 
Assim como o MTG, a Secretaria Estadual da Cultura também lançou sua programação virtual com shows. Mas não foram somente as apresentações musicais transmitidas pela internet. As gineteadas, provas em que os ginetes (cavaleiros) mostram suas habilidades com os cavalos, também foram virtuais.
 
Fonte! Chasque (post) publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS), edição do dia 21 de setembro de 2020.