sábado, 27 de novembro de 2021

Jaguarão: Artista leva o nome do município para além da fronteira


Escritor Hélio Ramirez escreveu livros sobre aspectos do município e região. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de estar presente nas ruas e monumentos do município, a cultura de Jaguarão também ganha visibilidade em toda a região, por meio de diversos artistas, que se destacam pelas poesias, escritas e música.

Um exemplo é o escritor Hélio Ramirez, que já publicou diversos livros, utilizando a paixão pelas letras. O primeiro foi a “Biogeografia da Bacia do Rio Jaguarão” que resgata aspectos da flora, fauna, geologia e do meio ambiente da importante bacia hidrográfica. E não parou nesse livro. Em seguida vieram as obras: “Lendas do rio Jaguarão” (Legendas del rio Yaguaron), com edição bilíngue e tradução para o espanhol realizada pelo Dr. Juan Pedro Alvez Suárez e Carina Lopes, “O olhar dos viajantes”, que trata da paisagem da zona sul do estado no século XIX, sob o olhar de viajantes europeus, e “Cactaceas Nativas de Jaguarão”, em parceria com Renan Pittela.

Para Ramirez, escrever é uma necessidade. “Eu não posso ficar com esses conhecimentos só para mim. Tenho que compartilhar com os outros. Escrever livros é uma forma de repartir o que aprendi. A leitura é uma forma de libertação. Ela nos transforma. Uma pessoa que lê tem capacidade de discernimento. Ver nas coisas o que é verdade ou mentira. Infelizmente, hoje as pessoas estão presas demais às mídias eletrônicas, que nem sempre falam a verdade, ou tratam de assuntos sérios com superficialidade”, disse.

O escritor ainda citou dois nomes que traduzem seu pensamento sobre a literatura. O grande poeta Castro Alves, segundo ele, resume em versos o que pensa sobre livros quando diz: “Oh! Bendito o que semeia/ livros à mão cheia/ E manda o povo pensar!/ O livro, caindo n’alma/ É germe – que faz a palma, É chuva- que faz o mar”.

Outro é o filósofo, matemático e escritor inglês, ganhador do Nobel de Literatura, Bertrand Russel, que, em referência à filosofia disse: “Devemos estudar não a fim de se obter uma resposta definitiva para suas perguntas (…) mas pelas perguntas em si; porque elas ampliam nossa concepção do que é possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem a segurança dogmática que fecha a mente para a especulação”. Isso, Ramirez aponta que considera no hábito de ler.

Fonte! Chasque (post) publicado no sítio oficial do Jornal Tradição, no dia 21 de novembro de 2021. Abra as porteiras clicando em:  https://www.jornaltradicao.com.br/jaguarao/cultura/jaguarao-artista-leva-o-nome-do-municipio-para-alem-da-fronteira/?fbclid=IwAR0laQ_Ee1RVb6quBoTyiwsSMD3cPrH0_gGYy_CcKDO7kORl6vdyC7kElSk

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS): 26/11/21

 FANDANGO DA SUBCOORDENADORIA

            No dia 04 de dezembro, as porteiras do galpão de eventos do CTG Sentinelas do Pago vão ser escancaradas para o grande baile de confraternização e encerramento do ano de 2021 da Subcoordenadoria do Tradicionalismo de Alvorada, em parceria com as entidades tradicionalistas locais, onde, na programação teremos: a entrega do Destaque Cultural 2021; a entrega da premiação Parceiros Tradicionalistas 2021 e o grande baile gaúcho que terá a animação de Moisés Oliveira e seu conjunto e o Grupo Eco do Pampa. Reserve desde já o seu barril de chopp e terás em tua mesa uma chopeira. Contatos com o Subcoordenador Jair Martins pelo fone waths (51) 999.994.513 ou com Marta Beyer pelo fone waths (51) 993.832.772

CTG RAÇA GAÚCHA

         No último sábado, dia 20 de novembro, o CTG Raça Gaúcha promoveu um brechó em prol da construção do galpão. E hoje, dia 26 de novembro, às 19h30, o CTG promove uma palestra com o tema “as diferentes formas de bullyng”, com Bruna Carneiro. Informações com Jane Flores pelo (51) 991.111.264. O CTG fica na Rua Aimoré (H), 255, no Bairro Maria Regina.

CTG ALMA CRIOULA

         Amanhã, dia 27 de novembro, teremos um grande fandango de retorno às atividades tradicionalistas no galpão de eventos do CTG Alma Crioula. Na animação teremos o Grupo Matizes. Ingressos a R$ 20,00, antecipados e limitados. Reservas pelo Pix CNPJ 90.298.795/0001-59. Na portaria, o ingresso custará R$ 25,00. Informações e reservas pelo fone waths (51) 999.446.873. É obrigatório o uso de máscara e apresentação do comprovante de vacinação (Covid-19), conforme decretos vigentes. O CTG fica na Rua Frederico Dihel, 700, na Vila Elza, em Viamão.

CBTG REALIZOU CONGRESSO COM ELEIÇÕES

         Sábado, dia 20 de novembro, o galpão de eventos do CTG Vinte de Setembro de Curitiba, recebeu os tradicionalistas de todo o país, pois foi sede do 23º Congresso Brasileiro da Tradição Gaúcha, com a participação das federações tradicionalistas estaduais (MTGs). A CBTG (Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha) foi fundada em Ponta Grossa/PR, com o objetivo principal de congregar as federações tradicionalistas existentes em todo o país, em 24 de maio de 1987.

         Na pauta deste Congresso estava, entre outras, a Assembleia Geral Eletiva, onde foi reeleito como presidente, por unanimidade, o tradicionalista Roberto Basso (MTG-MT) e fazem parte da diretoria executiva da confederação: 

Elóis Felício Rodrigues – primeiro vice-presidente, do MTG-PR; 

Édison da Silva Fagundes – segundo vice-presidente, do MTG-RS; 

Marcileia C. Muller de Souza – primeira secretária, do MTG-MT; 

Patrícia Gameiro – secretária adjunta, do MTG-PC (Planalto Central); 

Odair Bighelini – primeiro tesoureiro, do MTG-MT e 

Moacir Kohl Filho – tesoureiro adjunto, do MTG-MS.

CTG BENTO GONÇALVES DA SILVA

         Sábado passado, dia 20 de novembro, tivemos o retorno com evento presencial no galpão do CTG Bento Gonçalves da Silva. Foi o grande baile de aniversário da entidade, que foi fundada no dia 21 de novembro de 1992. O idealizador e um dos tradicionalistas que mais lutaram na região do Bairro Americana em busca de fundar uma entidade tradicionalista foi o seu Sócrates Carvalho de Oliveira, um exímio trovador e o idealizador do Festival Alvorada da Trova Gaúcha. Nós do Jornal A Semana felicitamos o CTG Bento Gonçalves da Silva pelo seu natalício, onde no dia 21, festejou seus primeiros 29 anos em prol da cultura do Rio Grande. 

        Fonte! Chasque (coluna) de Valdemar Engroff, publicada nas páginas do Jornal A Semana de Alvorada (RS), na edição do dia 26 de novembro de 2021.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS) - 20.11.21

 CTG AMANHECER NA QUERÊNCIA

        Hoje, dia 19 de novembro teremos o grande baile do 33º aniversário do CTG Amanhecer na Querência, a partir das 22h, tendo a animação o Gaiteiro das Missões e Cesar Xirú. Contatos com a patroa Shirley pelo fone waths (51) 991.387.443. O CTG fica na Rua Tramandaí, 76, no Jardim Alvorada.

         O CTG foi fundado no dia 19 de novembro de 1988, na sede da Associação dos Moradores do Jardim Alvorada (AMJA). A sede provisória foi o rancho do primeiro patrão, Vilson Alexandre. E assim, em seguida foram chegando as primeiras costaneiras e esteios para a construção do galpão e com o objetivo de arrecadar fundos, em 18 de dezembro foi realizada, na área da AMJA, a primeira festa campeira e o primeiro baile foi realizado no dia 8 de julho de 1989, no galpão do CTG Chilena de Prata, que foi gentilmente cedido e no dia 18 de setembro de 1989, o galpão foi inaugurado com um grandioso baile. Em abril de 1993, o CTG teve a sua filiação aceita no MTG/RS e em julho deste mesmo ano, sob o idealismo de Luiz Cláudio Dipp, foi realizado o "1º Festival Artístico, Cultural e Campeiro Guri", sendo o único evento na 1ª RT do MTG/RS, voltado exclusivamente às categorias Mirim e juvenil, que, hoje, junto com o "Amanhecer Artístico e Cultural Adulto e Chirú", é sem sombra de dúvida um dos maiores eventos artísticos e culturais de Alvorada e um dos maiores da 1ª Região Tradicionalista.

         O tradicionalismo de Alvorada, da 1ª Região Tradicionalista, de todo o Rio Grande e nós do Jornal A Semana, nos congratulamos com natalício do CTG Amanhecer na Querência, pujante entidade tradicionalista de Alvorada.

CTG AMARANTO PEREIRA

         Também hoje, dia 19 de novembro o CTG Amaranto Pereira vai realizar mais um jantar Pague & Leve com coxa-sobrecoxa assada, arroz, feijão e saladas de maionese e verdes, por apenas R$ 20,00 por pessoa. As reservas até o dia 18 com o patrão Orlando. O CTG fica na Rua Celso Lemes da Silva, 520, no Jardim Algarve.

CHASQUE DA SUBCOORDENADORIA

A Subcoordenadoria do tradicionalismo de Alvorada boleia a perna e te convida para uma roda de mate (conversa), que será no galpão de eventos do CTG Sentinelas do Pago no dia 20 de novembro, às 13h30min, onde teremos a honra de tem em nosso encontro o Sr. Jatir Cosme Delazeri, do Centro Cultural Gaúcho General Bento Gonçalves, que é o primeiro CTG dos Estados Unidos da América, onde foi o seu primeiro patrão. A entidade foi fundada em 20 de setembro de 1992. O CTG Sentinelas do Pago, que fica na Rua Porto Alegre, 216, no bairro Maria Regina

CTG BENTO GONÇALVES DA SILVA

         Neste dia 20 de novembro, o CTG Bento Gonçalves da Silva realizará grande jantar-baile do 29º ano de fundação. No cardápio galeto, arroz, feijão saladas de maionese e verdes. Na animação Carlinhos Santos e Leandro Costa, com participação de Vitor Gabriel. Valor do ingresso com janta R$ 20,00. O CTG fica na Rua Viamão, 1249, no Jardim Esplanada, bairro Americana.

CTG RAÇA GAÚCHA

         Neste dia 20 de novembro, o CTG Raça Gaúcha promove um brechó em prol da construção do galpão. Será na Rua Aimoré (H), 255, no bairro Maria Regina, das 10 às 16h. E no dia 26 de novembro, às 19h30, palestra no mesmo local com o tema “as diferentes formas de bullyng”, com Bruna Carneiro. Informações com Jane Flores pelo (51) 991.111.264.

        Fonte! Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS), edição do dia 19 de novembro de 2021, por Valdemar Engroff.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS) - 12.11.21

 PROGRAMA GRITOS DO QUERO QUERO Nº 500

        No dia 09 de novembro, o Programa Gritos do Quero Quero iniciou assim: “hoje é um dia especial para a Rádio Acácia Web e todos os seus voluntários, colaboradores e diretores. Estamos chegando a galope que nem num tranco de vaneira em fandango de galpão pois começou a edição histórica de nº 500 do Programa Gritos do Quero Quero.      O programa é o mais antigo da grade de programação da nossa emissora, que foi fundada em 19 de abril de 1999. Logo após surgiu o Programa Gritos do Quero Quero, que inicialmente era produzido e realizado pelos CTGs que fazem parte da lista de fundadores do CONCEC – Conselho Cultural Educativo e Comunitário: o CTG Amaranto Pereira e o CTG Chilena de Prata. Os primeiros comunicadores foram o saudoso Seu Ary Fialho e Orivan Boff, ambos do CTG Amaranto Pereira e o Seu Schneider do CTG Chilena de Prata

        A contagem do programa começou só após a primeira oficina radiofônica da então Rádio Comunitária Acácia FM 87,9, em meados de 2012 e após a pausa pós fim da outorga, que foi em março de 2020, pouco tempo depois a emissora se tornou uma rádio web e o programa voltou no dia 9 de fevereiro de 2021, sendo produzido e realizado por Valdemar Engroff, tendo no costado, o guri especial de primeira Luigi Cerbaro

O programa vai pro ar todas as terças-feiras das 21 às 23h e nos sábados das 8h30 às 10h30 da manhã” no sítio  www.acaciafm.com.br e nos mais diversos aplicativos, entre estes o da emissora e no potreiro do Radiosnet.

CTG AMARANTO PEREIRA I

No dia 22 de outubro, teve posse da nova patronagem no CTG Amaranto Pereira, para o biênio 2022/2023. O cerimonial foi comandado pelo patrão que encerrou a sua gestão – Adair Rocha e o juramento foi comandando pelo Subcoordenador local – Jair Martins.

O trabalho esteve “represado” no segundo mandato do Patrão Adair Rocha, devido a pandemia do Covid, onde o planeta todo estava, digamos assim, em quarentena por muito tempo. Agora, se Deus permitir, voltam os eventos presenciais na entidade. Mas a cultura gaúcha não esteve de quarentena pois esta foi para o mundo da internet, onde o CTG também estava e está inserido. Esta é a nova patronagem: 

Patrão – Orlando Kunzler; 

Primeiro Capataz – Leonel Soares; 

Segundo Capataz – André Barski; 

Agregado das Guaiacas – Jeferson Ribeiro;

Sota Capataz – Kerine Olszeski e 

Diretor de Patrimônio – Volmar Berner.

CTG CHILENA DE PRATA

         No dia 12 de novembro teremos no CTG Chilena de Prata, jantar em prol da retomada das invernadas mirim e juvenil do CTG. Será um buffet de massas e saladas. Informações com a Reovane Ribeiro pelo fone waths (51) 997.554.269. O CTG fica na Rua José do Patrocínio, 235, no Jardim Porto Alegre.

CTG AMANHECER NA QUERÊNCIA

         No dia 19 de novembro teremos o grande baile do 33º aniversário do CTG Amanhecer na Querência, a partir das 22h, tendo a animação o Gaiteiro das Missões e Cesar Xirú. Contatos com a patroa Shirley pelo fone waths (51) 991.387.443. O CTG fica na Rua Tramandaí, 76, no Jardim Alvorada.

CTG AMARANTO PEREIRA II

         Dia 19 de novembro o CTG Amaranto Pereira vai realizar mais um jantar Pague & Leve com coxa-sobrecoxa assada, arroz, feijão e saladas de maionese e verdes, por apenas R$ 20,00 por pessoa. Reservas até o dia 18 com o patrão Orlando pelo fones waths (51) 996.381.879. O CTG fica na Rua Celso Lemes da Silva, 520, no Jardim Algarve.

        Fonte! Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS), edição do dia 12 de novembro de 2021, por Valdemar Engroff.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS) - 05.11.21

 CTG TRADIÇÃO

         Hoje, dia 5 de novembro, teremos no CTG Tradição, jantar campeiro a partir das 20h30min, tendo no cardápio, galeto, arroz, feijão e saladas diversas, por apenas R$ 15,00 por pessoa. Contatos com o Neco pelo fone waths (051)999.053.902. O CTG fica na Av. Ildo Menegethi, 360, no Jardim Aparecida.

ALVORADA REALIZA 1º ENCONTRO DE ANITAS

         A Subcoordenadoria de Alvorada vai realizar no dia 10 de novembro, a partir das 20h, no galpão de eventos do CTG Sentinelas do Pago uma “Roda de Conversa” no Primeiro Encontro de Anitas. É pedido que cada um leve um prato de salgados ou de doce. Contatos com a Anita de Alvorada Fabiana Thomas pelo fone (51) 984.311.358 ou com o Subcoordenador Jair Martins pelo fone waths (51) 999.994.513. O CTG fica na Rua Porto Alegre, 216, no bairro maria Regina.

CTG CHILENA DE PRATA

         No dia 12 de novembro teremos no CTG Chilena de Prata, jantar em prol da retomada das invernadas mirim e juvenil do CTG. Será um buffet de massas e saladas. Informações com a Reovane Ribeiro pelo fone waths (51) 997.554.269. O CTG fica na Rua José do Patrocínio, 235, no Jardim Porto Alegre.

CTG ESTÂNCIA DO RUBEM BERTA

Neste sábado, dia 6 de novembro, o CTG Estância do Rubem Berta teremos grande jantar-baile, sob a animação do Grupo Marca de Campo. Informações com o Patrão Vilson pelo fone waths (51) 991.407.053. Apresentar a carteira de vacinação ao ingressar no galpão. O CTG fica na Rua Prof. Augusto, Osvaldo Thiesen, 280, no bairro Rubem Berta, em Porto Alegre.

DTG FIGUEIRA VELHA

         Neste sábado, dia 6 de novembro, teremos grande baile gaúcho no galpão de eventos do DTG Figueira Velha. No palco, na animação, o Grupo Moda Antiga. Contatos com o Cesar, vulgo Pé no Chão pelo fone waths (51) 999.154.252. A entidade fica na Rua Castro Alves, 351, em Sapucaia do Sul.

DOMINGUEIRA NO 35 CTG

         Neste domingo, dia 7 de novembro, teremos grande domingueira no 35 CTG, a partir das 20h30min, sob o comando do grupo Os Gaúchos Lá de Fora. Informações pelo fone waths (51) 984.433.262, com o meu amigo Caio. É obrigatório o uso de máscara, cobrindo boca e nariz. O 35 CTG fica na Av. Ipiranga, 5300 em Porto Alegre.

CHASQUE DA COORDENADORIA REGIONAL

         O Coordenador da Primeira Região Tradicionalista do Rio Grande do Sul (1ª RT/RS), senhor Luiz Henrique lamaison, no uso de suas atribuições legais, CONVOCA os patrões e patroas das entidades tradicionalista filiadas ao Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), dos municípios que englobam a 1ª RT/RS, para o grande Encontro Regional que será realizado no galpão de eventos do CTG Estância da Azenha, no dia 10 de novembro. Neste evento temos na pauta: a realização do 25º Congresso Tradicionalista Regional (Contreg); Eleições para a Coordenadoria Regional da 1ª RT/RS; recebimento de inscrições e documentos relativos a chapas das referidas eleições e assuntos gerais. O Coordenandor lembra que este será o último encontro regional deste ano. O CTG Estância da Azenha fica na Av. da Azenha, 155, Centro Histórico, em Porto Alegre.

CTG AMANHECER NA QUERÊNCIA

         No dia 19 de novembro teremos o grande baile do 33º aniversário do CTG Amanhecer na Querência, a partir das 22h, tendo a animação o Gaiteiro das Missões e Cesar Xirú. Contatos com a patroa Shirley pelo fone waths (51) 991.387.443. O CTG fica na Rua Tramandaí, 76, no Jardim Alvorada.

        Fonte! Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada, edição do dia 05 de novembro de 2021, por Valdemar Engroff.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Chamamé une as culturas fronteiriças no RS, Argentina e Paraguai

Casais dançam o ritmo no teatro Ciudad Gran Conex em Buenos Aires / Fernanda Marcon / Divulgação / JC

O chamamé é um dos ritmos mais apreciados no meio musical gauchesco, embora tenha despertado ao longo do tempo uma série de controvérsias. Em meados do século XX, era considerado não tradicional, ou não pertencente às raízes do gaúcho brasileiro.

O regulamento da Califórnia da Canção Nativa, por exemplo, vetava o chamamé ao lado do tango, da zamba e da chacarera, por considerá-los estrangeiros. Mesmo assim, o gênero não deixou de permear as edições do festival ao longo da história e até vencê-lo, como ocorreu em 1990 com Veterano (Antonio A. Ferreira/Ewerton Ferreira).
 
Hoje não há mais proibições categóricas e o chamamé se consolidou no Estado como uma cultura transfronteiriça, compartilhada com Argentina, Paraguai e Mato Grosso do Sul. No mercado musical gaúcho, muitos se inspiram no seu compasso, a exemplo de um dos maiores clássicos do cancioneiro regional, Canto alegretense (Bagre Fagundes/Nico Fagundes). Outros sucessos memoráveis são Batendo água (Luiz Marenco/Gujo Teixeira) e Baile de Fronteira (Luiz Carlos Borges/Mauro Ferreira), na mesma batida.
 
Recentemente, o acordeonista argentino Alejandro Brittes tem fortalecido esse caráter transfronteiriço. Natural de Buenos Aires, vive em Porto Alegre há uma década, participando ativamente de gravações e espetáculos ao lado de músicos dos dois países. Neste mês, lançou um livro, ao lado da produtora e pesquisadora Magali de Rossi, que é resultado de uma vida de estudo sobre as origens guaranis e barrocas do chamamé.
 
Por isso, além de permear a identidade gaúcha, o gênero participa diretamente da configuração de uma identidade missioneira, pois sua gestação estaria no grande território histórico das Missões Jesuítico-Guaranis, no período colonial da América Meridional.
 
Com isto, não se estranha que o chamamé também seja considerado uma expressão tradicional da música sertaneja. Ao lado da guarânia e da polca paraguaia, é uma referência fundamental para a configuração identitária associada à cultura guarani no Centro-Oeste. No livro Polca paraguaia, guarânia e chamamé (2010), o professor Evandro Higa destaca que "os ecos dessa alma guarani ainda estariam ressoando em Mato Grosso do Sul, palco da implantação de povoados espanhóis e das primeiras reduções jesuíticas da então província do Paraguai destruídas pelos bandeirantes paulistas no século XVII".
 
Nesta reportagem do Jornal do Comércio, entrevistamos grandes expoentes dessa música, como Chango Spasiuk e Luiz Carlos Borges. Também consultamos especialistas que avaliam a construção do gênero, desde os rituais guaranis, passando por migrações na Argentina, até influenciar músicos populares em diversas regiões, e se consagrar como patrimônio imaterial da humanidade perante a Unesco, no final do ano passado.
 
O sapucay

Autores do livro A origem do chamamé, Brittes e Magali com Vherá Poty
Fernanda Marcon / Divulgação / JC

"A mão vem me dando um soco
E eu prendo-lhe um sapucay
O pé pisoteia a marca
Que a alma arrepia em pêlo
E quase arrebenta o fole
Que torce, pra vida melhorar."
(Chamamecero - Mauro Moraes)
 
Um dos elementos mais marcantes da cultura do chamamé é o sapucay. Quando a dinâmica dos instrumentos fica intensa e improvisações na gaita atingem os registros agudos, tudo converge para uma explosão de emoção canalizada naquele grito característico de alguém no palco ou na plateia. É o sapucay. Quando as palavras não conseguem descrever o sentimento, então uma liberação elétrica produzida pelo corpo extravasa e o aproxima do cosmos, em uma espécie de transcendência.
 
Conforme a pesquisa de Alejandro Brittes e Magali de Rossi, com os guaranis da tekoá Água Grande, de Camaquã, a palavra sapucay deriva de xapucay, que na língua Mbyá Guarani significa grito. Muitas vezes ele é emanado dentro da opy, a casa de reza. "Ocorre no momento da cura dos enfermos como uma forma de aliviar a penosa caminhada do doente", relatam. Entende-se que o sapucay é o lançar a alma. Além da reza e da música, tem outros usos: na lida campeira, no luto ou na torcida de futebol. "Dizem que o chamamé nos eleva, mas quando você quer se elevar mais que a música, então vem o sapucay", destaca Brittes.
 
A antropóloga e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul Fernanda Marcon, autora da foto acima, treinou o sapucay pesquisando em centros culturais correntinos na região metropolitana de Buenos Aires. Observou que o grito remete à infância, à família. Por isso, tem momentos propícios, tem que saber quando usar. Está na vivência, no inconsciente. "O sapucay aparece como elemento performático que traz um sentido de pertença. Você não dá um sapucay ao acaso, mas quando a música chama você", avalia.
 
Na Fronteiras, se aprende a dançar o chamamé

Para Borges, persistência de nomes como Raúl Barboza (dir.) contribuiu para consagração do estilo / Luiz Carlos Borges / Arquivo Pessoal / Divulgação / JC
Era 1997 quando a banda Paralamas do Sucesso e o roqueiro Charly García foram escalados para participar do show de inauguração da ponte entre São Borja e Santo Tomé. A chamada Ponte da Integração vinha dinamizar a economia e as idas e vindas de chamameceros, que já se reconheciam além dos limites nacionais, via ondas de rádio, discos e shows compartilhados. Mas foi apenas 20 dias antes do evento inaugural que a escalação dos artistas mudou.
 
Luiz Carlos Borges enviou uma carta ao governador do Estado na época, Antonio Britto, buscando sensibilizá-lo, pois os chamameceros tinham que estar presentes naquela inauguração. "Na construção desta ponte, cada um de nós colocou um tijolinho", escreveu. Sua carta nunca foi respondida oficialmente, mas os músicos locais de ambos os lados do rio Uruguai foram incluídos na programação. "Finalmente, convidaram os tocadores de baile de fronteira", recorda Borges.
 
Esse episódio ilustra a dedicação do missioneiro ao chamamé, defendendo sua bandeira ao longo da carreira. Borges tinha nove anos quando começou a tocar profissionalmente em São Luiz Gonzaga. Nos lugares que permitiam, interpretava temas do acordeonista correntino Ernesto Montiel. "Na época tinha bailes que proibiam, outros nem se davam conta quando se tocava o chamamé", lembra. Naqueles anos, o Movimento Tradicionalista começava a definir seus conceitos. Hoje, Borges avalia que há mais abertura: "O chamamé se tornou o irmão gêmeo do vanerão, dividindo o repertório nos bailes do Rio Grande do Sul".
 
Em pesquisa sobre a percussão nos bailes de toda Região Sul, o músico e professor da Universidade de Passo Fundo, Márcio Kbecinha Tolio, observou uma divisão anímica nos ritmos: "O vanerão é pra dar risada; na hora do chamamé, é uma coisa mais nobre". Tolio explica que na dança do chamamé é possível mostrar fluência e pequenas coreografias. Quem não sabe o passo em três tempos fica perdido no salão. Tolio já acompanhou grupos como Os Monarcas e Os Serranos e observa que de uns anos pra cá, no Sul e no Centro-Oeste, mudou muito a dinâmica de baile. Com exceção das bandas mais tradicionais, diminuiu a presença do chamamé.
 
Por outro lado, especialmente nos últimos 30 anos, houve a consagração do gênero no mundo todo, culminando com o reconhecimento da Unesco. "Não é só um ritmo, é um aglomerado de culturas, não é de um lugar só", avalia Luiz Carlos Borges. Hoje o compositor revela sentir que não foi em vão sua dedicação. "O chamamé era um cancioneiro de bailanta e não tinha entrada na alta sociedade. Mas aí vem a postura de persistência de Cocomarola, Tarragó Ros, Raúl Barboza, e muitos outros nomes que todo chamamecero que se preza tem que conhecer", pontua.
 
Fora do circuito de bailes, o gênero também se fortaleceu no Centro-Oeste. Artistas como Almir Sater são pantaneiros chamameceros. Borges já gravou com ele e outros nomes daquela região, como Ivo de Souza e Guilherme Randon, no disco Do Pampa ao Pantanal (2001). "Tem um sabor diferente. Almir Sater fala chamamé [com som de xis], enquanto os gaúchos falam com sotaque castelhano", observa.
 
Baile de Fronteira

(Luiz Carlos Borges/ Mauro Ferreira)
"É num baile de fronteira
que a gente pode aprender
Esse balanço safado de
se dançar chamamé
Tem que ter manha no corpo,
pra sapatear tem que ter
Tranco de sapo baleado
e jeitão de jaguaretê"
 
Intercâmbio com os hermanos

Antonio Tarragó Ros se apresentou no festival de folclore argentino de Cosquín, em 2009 / João Vicente Ribas / Divulgação / JC
Na fronteira argentina, a parceria tem sido produtiva. A amizade sempre abriu portas para Luiz Carlos Borges. Aos 15 anos, trouxe Raúl Barboza ao Brasil, após conhecê-lo em um festival em Santo Tomé. Depois conheceu Antonio Tarragó Ros, com quem gravou o álbum Fronteiras abertas (1991). "Foi o primeiro fonograma gravado após assinatura do Mercosul, lançado dias depois, fortalecendo a ideia", ressalta Borges.
 
Já no disco Con amigos argentinos (2010), contou com participações especiais dos próprios Barboza e Tarragó Ros, além de Liliana Herrero, Juan Falú, Teresa Parodi e o ícone Mercedes Sosa, entre outros. "Ao longo da vida, Mercedes gravou mais de 50 chamamés, contribuindo para consolidar o gênero", diz Borges. Agora em 2021, outra parceria binacional se consolidou no lançamento do álbum Cosa de Hermanos, com Yamandu Costa e os irmãos Rudi y Nini Flores. Recheado de chamamé, claro.
 
No mercado brasileiro, sua primeira parceria com Mauro Ferreira rendeu o maior sucesso entre os chamamés. Borges compôs Baile de Fronteira como um tema instrumental e caiu no gosto do jornalista Glênio Reis, que o incentivou a buscar um letrista. Logo a canção foi registrada por Rui Biriva, em 1990, e muitos outros. Após toda essa trajetória dedicada ao gênero, Borges afirma: "Hoje eu sinto que criei a minha forma de tocar chamamé".
 
Dicas

capa do disco 'Cosa de Hermanos, de Borges, Yamandu e os irmãos Flores
/Joaquin Althabe/Reprodução/JC

  • Podcast Enramada
Chango Spasiuk apresenta um podcast, gerado a partir da rádio Folklórica Nacional, em que aborda assuntos culturais, entre eles o chamamé. Episódios disponíveis no Spotify.
  • Álbum Cosa de Hermanos
Encontro de gigantes gravado em 2010 e lançado no início deste ano. Os brasileiros Luiz Carlos Borges e Yamandu Costa dividem os arranjos com os irmãos Rudi e Nini Flores. No repertório, predomina o chamamé. Disponível nas plataformas digitais.
  • Livro A origem do chamamé
Pesquisa recupera construção do gênero e relatos de indígenas sobre a matriz ancestral. Projeto financiado pela Lei Aldir Blanc, edital da Fundação Marcopolo/Sedac-RS. Disponível em e-book.
  • Songbook El Taita del Chamamé
Obra completa de Mario del Tránsito Cocomarola, com partituras e tablaturas do ícone do chamamé correntino, autor de Kilometro 11. Disponível para download no Instituto Nacional de la Música, da Argentina.
 
As origens guaranis de um compasso transcendente

Livro A origem do chamamé é resultado da pesquisa de Magali de Rossi e Alejandro Brittes / Marcopolo / Divulgação / JC
O gênero já foi chamado de compuesto guarani, aires correntinos, ramada, purajhey, polka campera, entre outras denominações. O musicólogo Mark Brill pontua no livro Music of Latin America and the Caribbean (2011) que esse tipo de música emergiu no Nordeste argentino, região de imigrantes alemães e poloneses, que trouxeram consigo o acordeon, a polca e a mazurka.
 
O contato com populações guaranis, no século XIX, teria gerado a polca correntina. Já no século XX, o termo chamamé passaria a denominar essa mistura, tocada por acordeonistas virtuosos, a exemplo de Tránsito Cocomarola.
 
Na atualidade, Brill menciona Alejandro Brittes como um dos principais chamameceros. Ele nasceu em Buenos Aires, filho de pais correntinos e avó guarani, viveu a infância em um edifício de migrantes, que compartilhavam a música e a comida típica de sua região. "Desde o berço sou chamamecero", orgulha-se Brittes. Aos 15 anos, convivia com grandes nomes como Fito Ledesma, Nini Flores e Isaco Abitbol. Há 20 anos, passou a fazer turnês no Sul do Brasil e acabou se mudando para Porto Alegre. Conhecendo os chamameceros gaúchos, ficou maravilhado: "Encontrei a mesma linguagem, com sotaques diferentes".
 
O resultado dessa trajetória está no livro A origem do chamamé: uma história para ser contada. A coautora Magali de Rossi produziu quatro edições do Encontro de Chamameceros em São Luiz Gonzaga ("Ali encontrei a mística do chamamé") e investiu na pesquisa das questões metafísicas, concluindo que a característica transcendental do ritmo 6/8 é um traço universal, que se percebe em diversas religiões. Juntos, investigaram os rituais de povos Mbyá-Guarani no Estado.
 
Especialmente com a liderança Vherá Poty, aprenderam que os compassos quaternário (4/4) e ternário (3/4) são divisões rítmicas usadas nas celebrações de pátio, rituais cotidianos. Ficaram intrigados, pois o chamamé costuma ser ritmado no binário composto (6/8).
 
Em conversa com Poty, descobriram que o 6/8 não pode ser tocado em público, usado apenas pelo pajé na opy (casa de reza) para falar com deuses. Essa relação com o sagrado é reforçada em Caraí Chamamé: Reza-Dança (2019), de Juliano Javoski.
 
Já o teólogo e professor da Faculdade Dom Bosco Renato Ferreira Machado afirma que "na origem, o chamamé não é um gênero musical, é um ritual guarani". Buscando entender a mística, ele observa a ligação com o mito da Terra Sem Males: "Houve uma grande enchente, e os guaranis subiram nas palmeiras para se salvar. Rezando para as divindades, receberam a mensagem de caminhar sobre as águas. O chamamé é a dança sobre as águas, o caminho para a Terra Sem Males".
 
Não há consenso entre os músicos sobre a grafia do ritmo do chamamé na partitura. Márcio Tolio explica que o acento que configura o compasso depende de onde se toca. "No Rio Grande do Sul, soa mais como 3/4, com um pulso mais marcado. O argentino soa mais como 6/8, é mais fluido", afirma. A visão de Tolio é da percussão, então reconhece que, do ponto de vista do violão ou da voz, pode fazer mais sentido a célula rítmica 6/8. "Tu não consegues escrever totalmente e grafar o sentido de uma manifestação cultural", conclui.
 
Festivais fortalecem laços

Gauchito Gil - Centro Cultural Los Cunumi Guazu, cidade de Rafael Castillo, Província de Buenos Aires / Fernanda Marcon / Divulgação / JC
Há uma série de eventos por toda a região missioneira. O mais recente, criado em junho deste ano, é o Festival Internacional de Chamamé das Três Fronteiras, transmitido online desde Puerto Iguazú. Participaram dele o argentino Chango Spasiuk, a paraguaia Myrian Beatriz e o gaúcho Jorge Guedes, que também é um dos idealizadores do Encontro de Chamameceros, que iniciou em 2004 em São Luiz Gonzaga.

O mais longevo é o Festival Nacional del Chamamé, realizado em Federal, província de Entre Ríos, desde 1976. O mais badalado tem sido a Fiesta Nacional del Chamamé, realizada em Corrientes há 30 anos.

A integração é intensa nestes encontros. Chango Spasiuk metaforiza que "o chamamé é a árvore inteira, com todos seus matizes". No tronco estão Cocomarola, Ernesto Montiel, Isaco Abitbol, Tarragó Ros, as famílias tradicionais. Mas desta árvore há um desenvolvimento de quase um século, que floresce toda uma diversidade de cores sonoras. A antropóloga Fernanda Marcon pontua que as regiões também têm influência: "Misiones tem tambores, Corrientes tem a festa, Entre Ríos tem relação com a chamarrita".

Marcon observa que no contexto de Buenos Aires, o chamamé é um gênero periférico. Chamameceros que migraram para a capital tiveram um papel importante na constituição do gênero. Mas por algum tempo havia preconceito, pois a capital portenha era elitista. Como uma forma de reação, os migrantes constituíram centros culturais, onde promovem bailes e procissões. "Não dá pra desvincular o chamamé de expressões religiosas como o Gauchito Gil, um catolicismo popular", pontua. A antropóloga se emociona com o sentido de coletividade que percebe na cultura do chamamé. "São músicas que falam destes movimentos das pessoas, que levam suas tradições para outros lugares e se enraízam ali", afirma.

"O chamamé é uma música esperançosa"

Chango Spasiuk é um dos maiores nomes do gênero na atualidade
/Chango Spasiuk/Arquivo pessoal/Divulgação/JC

Chango Spasiuk é um dos maiores nomes do gênero na atualidade. Natural da província de Misiones, já esteve em Porto Alegre algumas vezes, mas se ressente que por mais que o Rio Grande do Sul seja "sua terra", tão conectado a sua raiz, acaba viajando mais para dar concertos em Paris ou Madri. "São estas grandes contradições que temos nós sul-americanos. Estamos tão perto, culturalmente, e tão desconectados institucional e comercialmente", avalia.
 
Em entrevista, Spasiuk vai a fundo nos sentidos e sentimentos do chamamé. "Não é uma música triste, não é obscura, não é depressiva, nem alegre. O chamamé é uma música esperançosa", afirma. Também revela que está preparando um songbook e um novo disco, que deve incluir uma gravação junto a Luiz Carlos Borges em Buenos Aires, captada ao vivo há três anos.
 
Spasiuk enfrenta debates, opinando que há um mau conceito de tradição. "A tradição não é a repetição mecânica de algo que te foi dado, a tradição é uma ferramenta para ressignificar o presente, com um profundo conhecimento do que se herdou", conclui.
 
JC - Cada chamamecero tem um estilo?
 
Chango Spasiuk - Primeiro há os estilos de Cocomarola, de Tarragó Ros, de Isaco Abitbol, de Ernesto Montiel, de Blasito Martínez Riera. Depois aparecem Raúl Barboza, Fito Ledesma, Ramona Galarza, Los Hermanos Barrios, Loz Hermanos Cardozo, Los De Imaguaré. São ramificações. Pois para que exista um Raúl Barboza tem que existir um Cocomarola. É tudo como um desenvolvimento natural da música ao passar do tempo.
 
E esse desenvolvimento implica em ser contemporâneo ao tempo cultural e do país onde se está. Não é a mesma vivência de um Barboza que nasceu em Buenos Aires e depois se exilou na França, e que todo seu desenvolvimento estético está impregnado pelo lugar onde foi viver. Não é a mesma vivência de um acordeonista do interior de Corrientes, ou da minha própria, que nasci em um lugar onde em menos de 90 quilômetros tem a fronteira com o Paraguai, ou a fronteira com o sul do Brasil, de avós imigrantes ucranianos, cercado de uma diversidade de cores, que para mim é absolutamente natural.

JC - Essa diversidade está presente no teu disco Pino Europeo, com arranjos eletrônicos?
 
Spasiuk - A paixão dos músicos eletrônicos sempre foi a música andina e o tango, mas nunca a música do nordeste da Argentina. Como se não vissem glamour neste mundo sonoro. Por isso propus esse disco, quase como uma atitude de rebeldia, dizendo que vocês músicos eletrônicos namoram outras raízes, e por que não a minha? Então por sorte encontrei uma pessoa com a sensibilidade de Pedro Canale, com quem pude desenvolver tudo isso e abrir uma porta a mais para propor desafios estéticos. Mas meu centro de gravidade segue sendo o acordeon e esta tradição mestiça do chamamé, a convergência de uma soma de elementos diferentes que se cristalizam.

JC - Os festivais de chamamé recebem diferentes tendências musicais?
 
Spasiuk - O festival de Corrientes é o mais aberto de todos. E tem que ser. Porque se supõe que o chamamé é uma construção coletiva, de todos os possíveis olhares. Se não fosse um palco para comportar tudo isso, deveria se chamar de outra maneira.
 
Parece-me que por sorte é um palco que sempre está aberto a todas as possíveis tendências e me parece legítimo que assim seja. Não se trata de funcionar comercialmente dando ao mercado o que o mercado quer. Mas um espaço no qual se fortalecem todas essas buscas se fortalecem na medida em que há um espaço no qual podem se expressar.

JC - Você concorda que há um chamamé mais instrumental, tocado em concertos, enquanto há outro mais dedicado à dança, aos bailes?
 
Spasiuk - É toda uma arte tocar para que as pessoas escutem. Mas também é toda uma arte tocar para que as pessoas dancem. E é muito difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Apesar que Montiel e Cocomarola em seus últimos anos, quando tocavam em baile, as pessoas quase não dançavam. Mais os escutavam.
 
Sim, há estilos que são muito dançáveis e outros que são mais introspectivos, mas não tem a ver com o cantado ou o instrumental. Tem a ver com a estética de cada criador. São diferentes buscas. Eu não digo que sou músico de música instrumental. Eu sou um músico que faço meu próprio mundo sonoro, que passa por um monte de situações sonoras, entre as quais aparece a voz cantando poesia. O que me interessa é o quadro inteiro. Não me interessa estar fragmentando música cantada ou música instrumental, música tradicional ou música de vanguarda.

Fonte! Reportagem (Chasque) Cultural de João Vicente Ribas *, publicado no Caderno Viver, encartado na edição do Jornal do Comércio de Porto Alegre, edição dos dias 24, 25 e 26 de setembro de 2021. Também acessível nos potreiros da Internet: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/reportagem_cultural/2021/09/812172-chamame-une-as-culturas-fronteiricas-no-rs-argentina-e-paraguai.html
 
* João Vicente Ribas é jornalista, professor na Universidade de Passo Fundo e apresentador do programa Canciones para despertar en Latinoamérica, na Rádio UPF.