sábado, 11 de julho de 2026

Show de Mercedes Sosa no Musicanto de Santa Rosa é episódio lendário do nativismo gaúcho

Artista fez show memorável no 2° Musicanto de Santa Rosa, em 1984/Acervo Musicanto / Reprodução / JC
Shows em estádios de futebol ainda não eram comuns naquele início dos anos 1980. Mas haveria lugar mais propício para reunir uma multidão em torno de uma estrela internacional? Foi no retorno do exílio que Mercedes Sosa passou a cantar para grandes plateias, fosse em sua terra natal Argentina ou aqui em Santa Rosa.
 
No campo do Dínamo Futebol Clube, no dia 12 de outubro de 1984, mais de 15 mil pessoas receberam La Negra para celebrar as raízes culturais e a liberdade política que se avizinhava. Aquele espetáculo, que compunha a programação da 2ª edição do festival Musicanto Sul-Americano de Nativismo, ainda permeia a memória coletiva e ficou gravado em uma fita analógica, agora digitalizada.
 
A cantora argentina já havia se apresentado em Porto Alegre e mantinha um intercâmbio com artistas brasileiros, a exemplo de Milton Nascimento. Mas a aproximação com o sul do Brasil se adensou naquele ano, com o disco ¿Será posible el sur?, contendo composições dos gaúchos Kleiton Ramil (Vira Viró) e Vitor Ramil (Siembra). Também participou do LP Kleiton & Kledir En Español, e do disco Gaudério, de Raul Ellwanger.
 
Naquele contexto, de regime militar encerrado na Argentina e campanha por eleições diretas no Brasil, Mercedes Sosa alimentava a expectativa em participar de um festival fora de seu país. “Quero ver como são as festas dos gaúchos, ver como se dá esta mescla de música regional com acordeon, falando este português. Realmente, o sonho da unidade latino-americana pode ser que esteja ocorrendo neste lugar”, afirmou em entrevista à RBS TV.
 
Nas palavras do prefeito de Santa Rosa na época, Erni Friderichs, registradas no libreto da 2ª edição, o Musicanto era mais que um concurso, pois pretendia ser um catalisador de novas reações culturais. “Colocando em contato os mais expressivos segmentos do nativismo rio-grandense, brasileiro e sul-americano, poderão resultar sínteses que, além de permitir avanços globais na arte poética e musical, igualmente permitir a definição de novas trilhas para povos tão iguais como os americanos do Sul nas suas frustrações e nos seus anseios”, escreveu.
 
Em entrevista coletiva no dia do show, Mercedes Sosa comentou as dificuldades políticas da América Latina, e protestou por as mulheres serem submetidas aos homens na maior parte dos lares. “A mulher tem muita importância. Eu não quero estar contra os homens, porque sofrem bastante neste continente. Mas me incomodam homens machistas”, disse.
 
A presença de Mercedes em Santa Rosa acabou coincidindo com a primeira vitória de uma canção com o eu lírico feminino em um festival nativista, Canto da mulher prometida, interpretada por Elaine Geissler. Das 12 canções finalistas, quatro foram interpretadas por mulheres. Além da vencedora, subiram ao palco Claudia Jungbluth, Maria Rita Stumpf e Glória Oliveira.
 
A fita de áudio em rolo que guarda os detalhes daquela noite segue inédita. O responsável pela gravação foi o historiador Tau Golin, que estava na ocasião cobrindo o show para o programa Continente Latino-Americano, da rádio Imembuí, de Santa Maria.
 
No fonograma, percebe-se que havia um clima de exaltação, com gritos de guerra e pedidos para que Mercedes Sosa cantasse canções consagradas. A chuva fina não fez o público arredar o pé. Após a terceira música, a argentina pediu silêncio: “escutem uma mulher que não está somente cantando, mas dizendo algo”.
 
Setlist do show de Mercedes Sosa em Santa Rosa, 1984
 
1 Todavía cantamos - Víctor Heredia
2 Duerme negrito - Atahualpa Yupanqui
3 Será posible el sur - Jorge Boccanera/ Carlos Peralta
4 Para Cândido Portinari - Nicolás Guillén/ Horacio Salinas
5 Unicornio - Silvio Rodríguez
6 Plegaria al labrador - Víctor Jara
7 Ventanita de Laurel - Víctor Heredia 
8 Como Pájaros En El Aire - Peteco Carabajal
9 El cosechero - Ramón Ayala
10 Vira viró - Kleiton Ramil
11 Siembra - José Fogaça/ Vitor Ramil
12 Corazón de estudiante - Milton Nascimento/ Wagner Tiso
13 Solo le pido adiós - León Gieco
14 La carta - Violeta Parra
15 La maza - Silvio Rodríguez
16 Maria, maria - Milton Nascimento/ Fernando Brant
17 Canción con todos - Julio Isella/ Armando Tejada Gómez

Canto da mulher comprometida

Show da cantora argentina no 2º Musicando de Santa Rosa, ficou registrado em fita / Acervo Fundação Mercedes Sosa/Reprodução / JC

Mercedes Sosa vivia um momento especial em sua carreira. Estava de volta à Argentina, após ser censurada e exilada por três anos em Paris e Madrid. Quem remonta àquela época é sua neta Araceli Matus, hoje presidente da fundação que cuida de seu legado. Ela atendeu à reportagem por chamada de vídeo, enquanto estava no Rio de Janeiro.
 
Araceli recorda que já em 1982 os militares permitiram que sua avó regressasse e se apresentasse no Teatro Ópera de Buenos Aires. "Foi a primeira vez que a música popular teve uma situação assim, de fazer 13 apresentações em um mesmo teatro, e ainda sob ditadura", observa.
 
O Brasil já a reconhecia e ouvia. Em 1980, Mercedes Sosa se apresentou 40 vezes aqui. "Então, na realidade me parece que o show em Santa Rosa foi como a cereja do bolo, porque ela tinha toda essa bagagem", conclui.
 
Araceli Matus também é cantora e esteve no ano passado em Porto Alegre, convidada para o show Casa Ramil, quando pôde sentir o amor da plateia, relacionado à memória de sua avó. Ela tem proximidade com a família Ramil, de Pelotas, assim como sua avó teve.
 
Kleiton Ramil recorda quando foi a Buenos Aires convidar Mercedes Sosa para participar do disco Kleiton & Kledir En Español. "A generosidade de sempre. Batemos um papo, então fiquei cantando na sua frente. Naquela tarde, Mercedes escolheu Vira virou e Semeadura para gravar no disco dela. E também aceitou o convite para cantar no nosso", conta.
 
Araceli revela que o trabalho diário de Mercedes, além de cantar, consistia em encontrar novas canções. "Minha avó tinha o dom de antecipar quando uma canção poderia ser relevante. Ela provava ao vivo, via como as pessoas reagiam. E a partir daí decidia se gravava e de que maneira", recorda.
 
Mercedes Sosa gravou 35 álbuns e inúmeros singles. Mesmo após sua morte, segue influente a partir de novos lançamentos de seu acervo. Recentemente foi sampleada pelo rapper Milo J, revelação atual da música argentina. "Essa massividade nos ajuda para que muita gente jovem, a quem nós não teríamos acesso, escute minha avó", conclui.
Na virada dos tempos, Kleiton & Kledir gravaram com Mercedes Sosa naquele ano / Acervo Kleiton & Kledir Ramil / Reprodução / JC
 
Kleiton Ramil não estava em Santa Rosa em 1984, mas sua canção foi uma das protagonistas. Vira virou era um sucesso no Brasil, gravada pelo grupo MPB-4. A dupla Kleiton & Kledir também havia cantado-a em abril no Comício da Candelária, que reuniu mais de um milhão de pessoas na campanha das Diretas Já. "Eu não fiz a música com essa intenção, mas fiquei muito feliz que ela foi abraçada como um símbolo de mudança. A expressão 'vira virou' encaixou bem com a questão de mudar para tempos melhores", avalia.
 
Mercedes Sosa foi um ídolo que Kleiton Ramil teve a oportunidade de conviver. De ouvinte a parceiro de palco, conheceu La Negra em 1981, no Festival Internacional de Varadero (Cuba), ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, entre outros artistas.
 
Dos momentos em que esteve com Mercedes, Kleiton guardou a lembrança de uma pessoa muito sensível, além de um caráter muito forte. "Eu lembro que ela chorava muito, quando a gente conversava sobre política, porque lembrava dos amigos que tinham morrido. Era uma figura que todos respeitavam. Nas entrevistas, ela se posicionava sempre com muita coragem", conclui.
 
Kleiton revela que compôs recentemente em parceria com Araceli Matus, neta da Mercedes, que irá participar do próximo disco da dupla Kleiton & Kledir. Vão ser 12 músicas, com produção do sobrinho Ian Ramil. A canção inédita se chama La Voz de América, uma homenagem a Mercedes Sosa.
 
De acordo com Araceli, sua avó não foi uma militante do feminismo em si, mas usava a sua voz para dar conta da realidade das mulheres. "Em um dos jornais mais importantes da Argentina, saiu uma matéria em que ela dizia ter feito seis abortos, nos anos 1990", acrescenta.
 
Desde 2019, existe uma lei de cota mínima feminina nos palcos argentinos. Qualquer programação deve ter uma determinada porcentagem de mulheres. Informalmente, foi chamada de Lei Mercedes Sosa.

Canto da mulher prometida

A neta Araceli Matus gerencia o legado da avó na Fundação Mercedes Sosa / Araceli Matus / Divulgação / JC

"Havia muita expectativa para aquele show", revela Dilan Camargo, letrista da música vencedora daquele 2º Musicanto. Foi também um momento marcante para o nativismo gaúcho. No mesmo ano, em Cruz Alta, a canção Morocha havia vencido o festival da Coxilha. "Era uma letra misógina, tratava a mulher como uma coisa. E a letra que eu escrevi não tinha nenhuma intenção de resposta", diz Dilan. No entanto, em Canto da Mulher Prometida a voz é feminina. "Queria contrapor a ideia de que as mulheres eram prometidas pelo pai, pela família, para alguém, e que elas não tinham escolha", conta.
 
Embora contenha nos versos a palavra "cio", que animaliza a mulher e provocou bastante crítica, a canção segue sendo muito procurada por meninas, nos festivais de intérpretes. O autor sugere a substituição pela palavra "frio".
 
Shana Müller já foi uma menina apresentando o Canto da Mulher Prometida, na Campereada Internacional do Alegrete. A cantora acredita que a música regional no Estado sempre foi carente de referências femininas. "Sempre fomos poucas mulheres. E a gente encontrar uma artista que tem esse alcance mundial, como é o caso da Mercedes, com essa linguagem regional, que guarda todas as origens dos povos originários, de um país que, mesmo colonizado, mantém viva uma linguagem que é do povo... Ela acabou sendo uma referência para nós", afirma.
 
Em 1984, Shana ainda era pequena, mas seus pais colecionavam os vinis da argentina e foram assisti-la no Musicanto. "Tenho esse relato deles, do quão incrível foi ver a Mercedes", afirma.
Shana Müller e Luiz Carlos Borges, ao lado de La Negra / Acervo pessoal Shana Müller / Reprodução / JC
 
Logo no início da carreira, Shana teve a oportunidade de conhecer La Negra em Córdoba, durante o festival de Cosquín. Ao lado de Luiz Carlos Borges, foi convidada para um jantar com a ídola. Recorda que chorou, cantou pra ela e conversou sobre música brasileira, em especial sobre a falta que Elis Regina fazia. Então Mercedes deu um conselho. "'Todas as vezes que tu estiveres no palco, nunca deixe de lado a responsabilidade que é ter um microfone na mão, o poder de transformar as pessoas, de tocar o coração'. E eu acho que o grande legado da Mercedes é esse", lembra.
 
Atualmente, Shana participa de um grupo de artistas gaúchas que buscam expressar seu eu lírico. Em 2019, começou o Peitaço, festival que reúne somente mulheres para um exercício de composição e que estreia em julho uma turnê por quatro cidades. "Sempre fomos muito desse lugar de intérprete, poucas instrumentistas, raríssimas compositoras. Mas eu vejo agora o cenário realmente se transformando", aposta.
 
Nesta cena, está Tatiéli Bueno, que apresenta um espetáculo tributo a Mercedes Sosa há 12 anos. Natural de Dois Lajeados, nem era nascida em 1984, mas escuta muito as pessoas falando desse festival. "Em todo show que faço, eu escuto: 'ah, mas eu assisti ela no Musicanto, ah, ela veio para o Musicanto'", diz. No dia 15 de julho, Tatiéli leva esse tributo ao Teatro Oficina Olga Reverbel, em Porto Alegre.

Ovação de uma estrela

Cartaz da edição de 1984 do Musicanto, em Santa Rosa (RS) / Acervo pessoal Vinícius Brum / Reprodução / JC 

Aquele 12 de outubro em Santa Rosa foi cristalizado em uma gravação, feita direto da mesa de mixagem do Bobby Som. Mercedes Sosa estava acompanhada no palco pelos músicos Nicolás Brizuela (violão), Oscar Alem (baixo) e Osvaldo Avena (percussão). O material está sob guarda do historiador Tau Golin, que produzia o programa Continente Latino-Americano, na rádio Imembuí, de Santa Maria.
 
Escutando a fita, percebe-se que logo nos primeiros compassos o público grita e assobia. Mercedes Sosa agradece e começa a cantar o repertório de seu novo LP, mesclado com canções de protesto, que o público pedia, como Solo le pido adiós, do argentino León Gieco, e Maria, Maria, do brasileiro Milton Nascimento.
 
Já no final do espetáculo, apelou pela segunda vez ao público: "Se vocês gritam eu não me escuto. Estamos em uma cancha de futebol, mas não somos jogadores. Despacito, por favor". Então apresentou versões em espanhol das já conhecidas Vira virou (Kleiton Ramil) e Semeadura (José Fogaça/ Vitor Ramil), para vibração da plateia.
 
Após o último acorde, o público de Santa Rosa entoou uma palavra de ordem comum naquele ano de Diretas Já: "Um, dois, três, quatro cinco mil, queremos eleger o presidente do Brasil". 

A redenção de uma canção

Mercedes Sosa concede entrevista coletiva em Santa Rosa, logo após o show / Acervo Musicanto / JC 

Vinícius Brum assistiu ao show de 1984 ao lado de Sérgio Jacaré e Marô Silva, letristas de Alquimia, canção que ficou entre as finalistas. O músico descreve o Estádio Municipal Carlos Denardin: "tinha um campo de futebol e uma pequena arquibancada, o resto era barranco na volta. Um espaço enorme e estava cheio. A maioria ficou de pé em frente ao palco, montado no lugar de uma das goleiras".
 
O que mais marcou Vinícius naquela noite foi a performance de Siembra. "A coisa mais bonita dessa história é de como o tempo consegue recuperar coisas que a gente acha que são irrecuperáveis. A canção que ganhou a Califórnia em 1980 na linha de projeção folclórica, Semeadura, foi recebida com muita contrariedade, chegou a ser vaiada", pontua. Quatro anos depois, estava no setlist de Mercedes Sosa e foi ovacionada. "É uma canção daquele final de ditadura, nessa onda do prosseguir, companheiro e tal. Foi a redenção de uma canção que tinha ficado estigmatizada no meio nativista", afirma.
 
Vinícius guarda também histórias dos bastidores, contadas pelo amigo e contemporâneo de Santa Maria, Luiz Carlos Borges, idealizador do festival. Entre elas, a de que foi buscar Mercedes Sosa em Porto Alegre, vinda de Buenos Aires, com a companhia do acordeonista Raulito Barboza, responsável por intermediar o convite para que se apresentasse em Santa Rosa.
Borges foi um dos principais acordeonistas e compositores nativistas. Faleceu em 2023 e teve em seu currículo parcerias com Mercedes Sosa, que nasceram a partir daquele primeiro encontro. Eles ficaram tão próximos que fizeram uma turnê pela Europa, antes da morte da cantora em 2009.
 
Já sobre o surgimento do Musicanto, Vinícius narra que em 1983 convidaram Borges para secretário de Cultura de Santa Rosa, depois de sua experiência em São Borja, coordenando o festival de 300 anos da cidade. "Aí o Borges recuperou uma ideia que andava na cabeça de todo mundo, lá em Santa Maria, no início dos anos 1980. De fazer um festival da América Latina. Até porque deram carta branca para ele criar uma coisa diferente", recorda.
 
Vinícius comenta que há um paradoxo em um show de Mercedes Sosa, em Santa Rosa, em 1984. "Hoje seria absolutamente inconcebível. O segmento mais conservador da sociedade ir buscar uma artista que, além da questão estética, tem uma relação com militantes de esquerda", reflete.

Uma estrela mundial em Santa Rosa

Mercedes Sosa cantou repertório do então disco novo e canções consagradas / Acervo Musicanto / Reprodução / JC

O jornalista Juarez Fonseca lembra que, nos anos 1970, a Califórnia da Canção de Uruguaiana não aceitava o ritmo do chamamé, porque não era considerado cultura do Rio Grande do Sul. No entanto, o Musicanto começa se abrindo para o Brasil e o continente. "O Borges sempre foi um cara aberto, que gravou com o Dominguinhos, com o Antonio Tarragó Ros. Era um grande músico, sem preconceitos", diz.
 
Juarez começou a cobrir os festivais nativistas em 1974, para o jornal Zero Hora. Ao longo da carreira, entrevistou Mercedes Sosa diversas vezes. "A Mercedes é uma deusa da canção latino-americana. E o show foi maravilhoso, como todos os shows dela foram maravilhosos. Foi um acontecimento pelo fato de uma grande estrela mundial estar cantando em Santa Rosa", avalia.
 
O cantor e compositor Sérgio Rojas estava lá na plateia naquele Musicanto e viria a ganhar a edição seguinte. "Todos nós nos emocionamos, nos abraçamos. O Manolo chorava, um cara enorme, que apresentou Vire o mate no festival. Ele olhou a Mercedes e ficou louco. Esse momento em que tu convives, que tu estás vivo ali... Fui testemunha de um momento extraordinário."
 
Rojas viria a se aproximar de Mercedes Sosa quando ela se apresentou em Uruguaiana, em 1987, e a acompanhá-la em turnê pelo Brasil. Para celebrar o aniversário de La Negra, neste 9 de julho, Sérgio Rojas apresenta um show no dia 10 em homenagem a Mercedes Sosa no Espaço 373, em Porto Alegre.

Um baque de irmandade 

Euforia em Santa Rosa era tanta que Mercedes Sosa precisou, mais de uma vez, pedir para o público se acalmar / Acervo Musicanto / Reprodução / JC

Para Tau Golin, a vinda de Mercedes Sosa "foi um baque", pelo significado transcendental da arte nos momentos históricos e por demonstrar irmandade. Em um momento do show, conta que levantou um cartaz pela liberdade dos presos políticos do Chile. "Eu passei com o cartaz e larguei em cima da caixa de retorno. Mas escorregou e caiu no chão. Ela veio cantando, pegou e colocou na posição certa", rememora.
 
O historiador acredita que o festival motivou e estabeleceu pontes. "Houve vozes contrárias, principalmente pelos posicionamentos políticos dela. Mas um respeito muito grande", avalia. Contudo, lamenta que depois, não só o Musicanto, mas os festivais em geral, aproximaram-se de um "gauchismo civista, de fundamentalismo tradicionalista".
 
Fonte! Chasque (Reportagem Cultural), por João Vicente Ribas*, publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre, em 09 de julho de 2026https://www.jornaldocomercio.com/especiais/reportagem-cultural/2026/07/1255282-show-de-mercedes-sosa-no-musicanto-de-santa-rosa-e-episodio-lendario-do-nativismo-gaucho.html

* João Vicente Ribas é jornalista da Emater/RS-Ascar, editor da newsletter Canciones para despertar en Latinoamérica e professor da especialização em Cultura e Música Latino-Americana, da Universidade de Passo Fundo.

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