| Artista fez show memorável no 2° Musicanto de Santa Rosa, em 1984/Acervo Musicanto / Reprodução / JC |
No campo do Dínamo
Futebol Clube, no dia 12 de outubro de 1984, mais de 15 mil pessoas
receberam La Negra para celebrar as raízes culturais e a liberdade
política que se avizinhava. Aquele espetáculo, que compunha a
programação da 2ª edição do festival Musicanto Sul-Americano de
Nativismo, ainda permeia a memória coletiva e ficou gravado em uma fita
analógica, agora digitalizada.
A cantora argentina já
havia se apresentado em Porto Alegre e mantinha um intercâmbio com
artistas brasileiros, a exemplo de Milton Nascimento. Mas a aproximação
com o sul do Brasil se adensou naquele ano, com o disco ¿Será posible el sur?, contendo composições dos gaúchos Kleiton Ramil (Vira Viró) e Vitor Ramil (Siembra). Também participou do LP Kleiton & Kledir En Español, e do disco Gaudério, de Raul Ellwanger.
Naquele contexto, de
regime militar encerrado na Argentina e campanha por eleições diretas no
Brasil, Mercedes Sosa alimentava a expectativa em participar de um
festival fora de seu país. “Quero ver como são as festas dos gaúchos,
ver como se dá esta mescla de música regional com acordeon, falando este
português. Realmente, o sonho da unidade latino-americana pode ser que
esteja ocorrendo neste lugar”, afirmou em entrevista à RBS TV.
Nas palavras do
prefeito de Santa Rosa na época, Erni Friderichs, registradas no libreto
da 2ª edição, o Musicanto era mais que um concurso, pois pretendia ser
um catalisador de novas reações culturais. “Colocando em contato os mais
expressivos segmentos do nativismo rio-grandense, brasileiro e
sul-americano, poderão resultar sínteses que, além de permitir avanços
globais na arte poética e musical, igualmente permitir a definição de
novas trilhas para povos tão iguais como os americanos do Sul nas suas
frustrações e nos seus anseios”, escreveu.
Em entrevista coletiva
no dia do show, Mercedes Sosa comentou as dificuldades políticas da
América Latina, e protestou por as mulheres serem submetidas aos homens
na maior parte dos lares. “A mulher tem muita importância. Eu não quero
estar contra os homens, porque sofrem bastante neste continente. Mas me
incomodam homens machistas”, disse.
A presença de Mercedes
em Santa Rosa acabou coincidindo com a primeira vitória de uma canção
com o eu lírico feminino em um festival nativista, Canto da mulher prometida,
interpretada por Elaine Geissler. Das 12 canções finalistas, quatro
foram interpretadas por mulheres. Além da vencedora, subiram ao palco
Claudia Jungbluth, Maria Rita Stumpf e Glória Oliveira.
A fita de áudio em
rolo que guarda os detalhes daquela noite segue inédita. O responsável
pela gravação foi o historiador Tau Golin, que estava na ocasião
cobrindo o show para o programa Continente Latino-Americano, da rádio
Imembuí, de Santa Maria.
No fonograma,
percebe-se que havia um clima de exaltação, com gritos de guerra e
pedidos para que Mercedes Sosa cantasse canções consagradas. A chuva
fina não fez o público arredar o pé. Após a terceira música, a argentina
pediu silêncio: “escutem uma mulher que não está somente cantando, mas
dizendo algo”.
Setlist do show de Mercedes Sosa em Santa Rosa, 1984
1 Todavía cantamos - Víctor Heredia
2 Duerme negrito - Atahualpa Yupanqui
3 Será posible el sur - Jorge Boccanera/ Carlos Peralta
4 Para Cândido Portinari - Nicolás Guillén/ Horacio Salinas
5 Unicornio - Silvio Rodríguez
6 Plegaria al labrador - Víctor Jara
7 Ventanita de Laurel - Víctor Heredia
8 Como Pájaros En El Aire - Peteco Carabajal
9 El cosechero - Ramón Ayala
10 Vira viró - Kleiton Ramil
11 Siembra - José Fogaça/ Vitor Ramil
12 Corazón de estudiante - Milton Nascimento/ Wagner Tiso
13 Solo le pido adiós - León Gieco
14 La carta - Violeta Parra
15 La maza - Silvio Rodríguez
16 Maria, maria - Milton Nascimento/ Fernando Brant
17 Canción con todos - Julio Isella/ Armando Tejada Gómez
Show da cantora argentina no 2º Musicando de Santa Rosa, ficou registrado em fita / Acervo Fundação Mercedes Sosa/Reprodução / JC
Mercedes Sosa vivia um momento especial em
sua carreira. Estava de volta à Argentina, após ser censurada e exilada
por três anos em Paris e Madrid. Quem remonta àquela época é sua neta
Araceli Matus, hoje presidente da fundação que cuida de seu legado. Ela
atendeu à reportagem por chamada de vídeo, enquanto estava no Rio de
Janeiro.
Araceli recorda que já em 1982 os militares permitiram que sua avó
regressasse e se apresentasse no Teatro Ópera de Buenos Aires. "Foi a
primeira vez que a música popular teve uma situação assim, de fazer 13
apresentações em um mesmo teatro, e ainda sob ditadura", observa.
O Brasil já a reconhecia e ouvia. Em 1980, Mercedes Sosa se
apresentou 40 vezes aqui. "Então, na realidade me parece que o show em
Santa Rosa foi como a cereja do bolo, porque ela tinha toda essa
bagagem", conclui.
Araceli Matus também é cantora e esteve no ano passado em Porto
Alegre, convidada para o show Casa Ramil, quando pôde sentir o amor da
plateia, relacionado à memória de sua avó. Ela tem proximidade com a
família Ramil, de Pelotas, assim como sua avó teve.
Kleiton Ramil recorda quando foi a Buenos Aires convidar Mercedes Sosa para participar do disco Kleiton & Kledir En Español. "A generosidade de sempre. Batemos um papo, então fiquei cantando na sua frente. Naquela tarde, Mercedes escolheu Vira virou e Semeadura para gravar no disco dela. E também aceitou o convite para cantar no nosso", conta.
Araceli revela que o trabalho diário de Mercedes, além de cantar,
consistia em encontrar novas canções. "Minha avó tinha o dom de
antecipar quando uma canção poderia ser relevante. Ela provava ao vivo,
via como as pessoas reagiam. E a partir daí decidia se gravava e de que
maneira", recorda.
Mercedes Sosa gravou 35 álbuns e inúmeros singles. Mesmo após sua
morte, segue influente a partir de novos lançamentos de seu acervo.
Recentemente foi sampleada pelo rapper Milo J, revelação atual da música
argentina. "Essa massividade nos ajuda para que muita gente jovem, a
quem nós não teríamos acesso, escute minha avó", conclui.
Kleiton Ramil não estava em Santa Rosa em 1984, mas sua canção foi uma das protagonistas. Vira virou
era um sucesso no Brasil, gravada pelo grupo MPB-4. A dupla Kleiton
& Kledir também havia cantado-a em abril no Comício da Candelária,
que reuniu mais de um milhão de pessoas na campanha das Diretas Já. "Eu
não fiz a música com essa intenção, mas fiquei muito feliz que ela foi
abraçada como um símbolo de mudança. A expressão 'vira virou' encaixou
bem com a questão de mudar para tempos melhores", avalia.
Mercedes Sosa foi um ídolo que Kleiton Ramil teve a oportunidade de
conviver. De ouvinte a parceiro de palco, conheceu La Negra em 1981, no
Festival Internacional de Varadero (Cuba), ao lado de Chico Buarque e
Nara Leão, entre outros artistas.
Dos momentos em que esteve com Mercedes, Kleiton guardou a
lembrança de uma pessoa muito sensível, além de um caráter muito forte.
"Eu lembro que ela chorava muito, quando a gente conversava sobre
política, porque lembrava dos amigos que tinham morrido. Era uma figura
que todos respeitavam. Nas entrevistas, ela se posicionava sempre com
muita coragem", conclui.
Kleiton revela que compôs recentemente em parceria com Araceli
Matus, neta da Mercedes, que irá participar do próximo disco da dupla
Kleiton & Kledir. Vão ser 12 músicas, com produção do sobrinho Ian
Ramil. A canção inédita se chama La Voz de América, uma homenagem a Mercedes Sosa.
De acordo com Araceli, sua avó não foi uma militante do feminismo
em si, mas usava a sua voz para dar conta da realidade das mulheres. "Em
um dos jornais mais importantes da Argentina, saiu uma matéria em que
ela dizia ter feito seis abortos, nos anos 1990", acrescenta.
Desde 2019, existe uma lei de cota mínima feminina nos palcos
argentinos. Qualquer programação deve ter uma determinada porcentagem de
mulheres. Informalmente, foi chamada de Lei Mercedes Sosa.
Canto da mulher prometida
"Havia muita expectativa para aquele show",
revela Dilan Camargo, letrista da música vencedora daquele 2º
Musicanto. Foi também um momento marcante para o nativismo gaúcho. No
mesmo ano, em Cruz Alta, a canção Morocha havia vencido o
festival da Coxilha. "Era uma letra misógina, tratava a mulher como uma
coisa. E a letra que eu escrevi não tinha nenhuma intenção de resposta",
diz Dilan. No entanto, em Canto da Mulher Prometida a voz é
feminina. "Queria contrapor a ideia de que as mulheres eram prometidas
pelo pai, pela família, para alguém, e que elas não tinham escolha",
conta.
Embora contenha nos versos a palavra "cio", que animaliza a mulher e
provocou bastante crítica, a canção segue sendo muito procurada por
meninas, nos festivais de intérpretes. O autor sugere a substituição
pela palavra "frio".
Shana Müller já foi uma menina apresentando o Canto da Mulher Prometida,
na Campereada Internacional do Alegrete. A cantora acredita que a
música regional no Estado sempre foi carente de referências femininas.
"Sempre fomos poucas mulheres. E a gente encontrar uma artista que tem
esse alcance mundial, como é o caso da Mercedes, com essa linguagem
regional, que guarda todas as origens dos povos originários, de um país
que, mesmo colonizado, mantém viva uma linguagem que é do povo... Ela
acabou sendo uma referência para nós", afirma.
Em 1984, Shana ainda era pequena, mas seus pais colecionavam os
vinis da argentina e foram assisti-la no Musicanto. "Tenho esse relato
deles, do quão incrível foi ver a Mercedes", afirma.
Shana Müller e Luiz Carlos Borges, ao lado de La Negra / Acervo pessoal Shana Müller / Reprodução / JC
Logo no início da carreira, Shana teve a oportunidade de conhecer
La Negra em Córdoba, durante o festival de Cosquín. Ao lado de Luiz
Carlos Borges, foi convidada para um jantar com a ídola. Recorda que
chorou, cantou pra ela e conversou sobre música brasileira, em especial
sobre a falta que Elis Regina fazia. Então Mercedes deu um conselho.
"'Todas as vezes que tu estiveres no palco, nunca deixe de lado a
responsabilidade que é ter um microfone na mão, o poder de transformar
as pessoas, de tocar o coração'. E eu acho que o grande legado da
Mercedes é esse", lembra.
Atualmente, Shana participa de um grupo de artistas gaúchas que
buscam expressar seu eu lírico. Em 2019, começou o Peitaço, festival que
reúne somente mulheres para um exercício de composição e que estreia em
julho uma turnê por quatro cidades. "Sempre fomos muito desse lugar de
intérprete, poucas instrumentistas, raríssimas compositoras. Mas eu vejo
agora o cenário realmente se transformando", aposta.
Nesta cena, está Tatiéli Bueno, que apresenta um espetáculo tributo
a Mercedes Sosa há 12 anos. Natural de Dois Lajeados, nem era nascida
em 1984, mas escuta muito as pessoas falando desse festival. "Em todo
show que faço, eu escuto: 'ah, mas eu assisti ela no Musicanto, ah, ela
veio para o Musicanto'", diz. No dia 15 de julho, Tatiéli leva esse
tributo ao Teatro Oficina Olga Reverbel, em Porto Alegre.
Ovação de uma estrela
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Cartaz da edição de 1984 do Musicanto, em Santa Rosa (RS) / Acervo pessoal Vinícius Brum / Reprodução / JC |
Aquele 12 de outubro em Santa Rosa foi
cristalizado em uma gravação, feita direto da mesa de mixagem do Bobby
Som. Mercedes Sosa estava acompanhada no palco pelos músicos Nicolás
Brizuela (violão), Oscar Alem (baixo) e Osvaldo Avena (percussão). O
material está sob guarda do historiador Tau Golin, que produzia o
programa Continente Latino-Americano, na rádio Imembuí, de Santa Maria.
Escutando a fita, percebe-se que logo nos primeiros compassos o
público grita e assobia. Mercedes Sosa agradece e começa a cantar o
repertório de seu novo LP, mesclado com canções de protesto, que o
público pedia, como Solo le pido adiós, do argentino León Gieco, e Maria, Maria, do brasileiro Milton Nascimento.
Já no final do espetáculo, apelou pela segunda vez ao público: "Se
vocês gritam eu não me escuto. Estamos em uma cancha de futebol, mas não
somos jogadores. Despacito, por favor". Então apresentou versões em espanhol das já conhecidas Vira virou (Kleiton Ramil) e Semeadura (José Fogaça/ Vitor Ramil), para vibração da plateia.
Após o último acorde, o público de Santa Rosa entoou uma palavra de
ordem comum naquele ano de Diretas Já: "Um, dois, três, quatro cinco
mil, queremos eleger o presidente do Brasil".
A redenção de uma canção

Mercedes Sosa concede entrevista coletiva em Santa Rosa, logo após o show / Acervo Musicanto / JC

Mercedes Sosa concede entrevista coletiva em Santa Rosa, logo após o show / Acervo Musicanto / JC
Vinícius Brum assistiu ao show de 1984 ao
lado de Sérgio Jacaré e Marô Silva, letristas de Alquimia, canção que
ficou entre as finalistas. O músico descreve o Estádio Municipal Carlos
Denardin: "tinha um campo de futebol e uma pequena arquibancada, o resto
era barranco na volta. Um espaço enorme e estava cheio. A maioria ficou
de pé em frente ao palco, montado no lugar de uma das goleiras".
O que mais marcou Vinícius naquela noite foi a performance de
Siembra. "A coisa mais bonita dessa história é de como o tempo consegue
recuperar coisas que a gente acha que são irrecuperáveis. A canção que
ganhou a Califórnia em 1980 na linha de projeção folclórica, Semeadura, foi recebida com muita contrariedade, chegou a ser vaiada", pontua. Quatro anos depois, estava no setlist
de Mercedes Sosa e foi ovacionada. "É uma canção daquele final de
ditadura, nessa onda do prosseguir, companheiro e tal. Foi a redenção de
uma canção que tinha ficado estigmatizada no meio nativista", afirma.
Vinícius guarda também histórias dos bastidores, contadas pelo
amigo e contemporâneo de Santa Maria, Luiz Carlos Borges, idealizador do
festival. Entre elas, a de que foi buscar Mercedes Sosa em Porto
Alegre, vinda de Buenos Aires, com a companhia do acordeonista Raulito
Barboza, responsável por intermediar o convite para que se apresentasse
em Santa Rosa.
Borges foi um dos principais acordeonistas e compositores
nativistas. Faleceu em 2023 e teve em seu currículo parcerias com
Mercedes Sosa, que nasceram a partir daquele primeiro encontro. Eles
ficaram tão próximos que fizeram uma turnê pela Europa, antes da morte
da cantora em 2009.
Já sobre o surgimento do Musicanto, Vinícius narra que em 1983
convidaram Borges para secretário de Cultura de Santa Rosa, depois de
sua experiência em São Borja, coordenando o festival de 300 anos da
cidade. "Aí o Borges recuperou uma ideia que andava na cabeça de todo
mundo, lá em Santa Maria, no início dos anos 1980. De fazer um festival
da América Latina. Até porque deram carta branca para ele criar uma
coisa diferente", recorda.
Vinícius comenta que há um paradoxo em um show de Mercedes Sosa, em
Santa Rosa, em 1984. "Hoje seria absolutamente inconcebível. O segmento
mais conservador da sociedade ir buscar uma artista que, além da
questão estética, tem uma relação com militantes de esquerda", reflete.
Uma estrela mundial em Santa Rosa

Mercedes Sosa cantou repertório do então disco novo e canções consagradas / Acervo Musicanto / Reprodução / JC

Mercedes Sosa cantou repertório do então disco novo e canções consagradas / Acervo Musicanto / Reprodução / JC
O jornalista Juarez Fonseca lembra que, nos
anos 1970, a Califórnia da Canção de Uruguaiana não aceitava o ritmo do
chamamé, porque não era considerado cultura do Rio Grande do Sul. No
entanto, o Musicanto começa se abrindo para o Brasil e o continente. "O
Borges sempre foi um cara aberto, que gravou com o Dominguinhos, com o
Antonio Tarragó Ros. Era um grande músico, sem preconceitos", diz.
Juarez começou a cobrir os festivais nativistas em 1974, para o
jornal Zero Hora. Ao longo da carreira, entrevistou Mercedes Sosa
diversas vezes. "A Mercedes é uma deusa da canção latino-americana. E o
show foi maravilhoso, como todos os shows dela foram maravilhosos. Foi
um acontecimento pelo fato de uma grande estrela mundial estar cantando
em Santa Rosa", avalia.
O cantor e compositor Sérgio Rojas estava lá na plateia naquele
Musicanto e viria a ganhar a edição seguinte. "Todos nós nos
emocionamos, nos abraçamos. O Manolo chorava, um cara enorme, que
apresentou Vire o mate no festival. Ele olhou a Mercedes e
ficou louco. Esse momento em que tu convives, que tu estás vivo ali...
Fui testemunha de um momento extraordinário."
Rojas viria a se aproximar de Mercedes Sosa quando ela se
apresentou em Uruguaiana, em 1987, e a acompanhá-la em turnê pelo
Brasil. Para celebrar o aniversário de La Negra, neste 9 de julho,
Sérgio Rojas apresenta um show no dia 10 em homenagem a Mercedes Sosa no
Espaço 373, em Porto Alegre.
Um baque de irmandade 
Euforia
em Santa Rosa era tanta que Mercedes Sosa precisou, mais de uma vez,
pedir para o público se acalmar / Acervo Musicanto / Reprodução / JC

Euforia em Santa Rosa era tanta que Mercedes Sosa precisou, mais de uma vez, pedir para o público se acalmar / Acervo Musicanto / Reprodução / JC
Para Tau Golin, a vinda de Mercedes Sosa
"foi um baque", pelo significado transcendental da arte nos momentos
históricos e por demonstrar irmandade. Em um momento do show, conta que
levantou um cartaz pela liberdade dos presos políticos do Chile. "Eu
passei com o cartaz e larguei em cima da caixa de retorno. Mas
escorregou e caiu no chão. Ela veio cantando, pegou e colocou na posição
certa", rememora.
O historiador acredita que o festival motivou e estabeleceu pontes.
"Houve vozes contrárias, principalmente pelos posicionamentos políticos
dela. Mas um respeito muito grande", avalia. Contudo, lamenta que
depois, não só o Musicanto, mas os festivais em geral, aproximaram-se de
um "gauchismo civista, de fundamentalismo tradicionalista".
Fonte! Chasque (Reportagem Cultural), por João Vicente Ribas*, publicado no sítio oficial do Jornal do Comércio de Porto Alegre, em 09 de julho de 2026: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/reportagem-cultural/2026/07/1255282-show-de-mercedes-sosa-no-musicanto-de-santa-rosa-e-episodio-lendario-do-nativismo-gaucho.html
*
João Vicente Ribas é jornalista da Emater/RS-Ascar, editor da
newsletter Canciones para despertar en Latinoamérica e professor da
especialização em Cultura e Música Latino-Americana, da Universidade de
Passo Fundo.





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