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quinta-feira, 7 de março de 2024

Como surgiu a Tertúlia Nativista de Santa Maria

Foi na Boca do Monte, no mês de março de 1980, exatamente há 44 anos que surgiu o nono festival regionalista gaúcho, dessa forma certificando Santa Maria por sua força educacional, social e turística, que por tais razões, não poderia ficar de fora dessa expansão cultural. Seu idealizador foi o radialista José Figueiredo Vassauer, mais conhecido como Xirú, que desde 1971, transmitindo para a Rádio Universidade de Santa Maria, a Califórnia da Canção, pressentiu que sua cidade, era terra fértil para algo semelhante. Vassauer encontrou na figura de Amaury Dalla Porta, então patrão da Associação Tradicionalista Estância do Minuano, apoio suficiente para tal investida.

O nome do festival também, é inspiração do Xirú Vassauer, que foi busca-lo, no hábito dos antigos saraus, reunião realizada geralmente em casas particulares onde as pessoas se encontram para se expressar artisticamente, que o espanhol chama de tertúlia e o gaúcho pampiano adotou em suas guitarreadas e cantos nas pulperias, nos galpões, nas estâncias, ao convivo social e naturalmente formando artistas.

A primeira edição da Tertúlia Nativista de Santa Maria foi temática, todas as músicas deveriam abordar o tema MINUANO, com a finalidade de criar um hino a instituição promotora do evento, chamada Estância do Minuano Associação Tradicionalista e Cultural. Essa edição praticamente com artistas locais, ficando em âmbito regional, e teve como vencedores, Luiz Carlos Borges e Humberto Gabi Zanatta, com a obra Minuano.  

O sucesso da primeira se alastrou, tanto que na segunda edição da Tertúlia, concorreram  autores de vários recantos do estado, tendo fatos marcantes como: o surgimento de uma obra que não fora premiada mas que ganhou o mundo gaúcho, intitulada Canto Alegretense, dos irmãos Nico e Bagre Fagundes, que contavam no palco com Neto Fagundes e Renato Borguetti com 19 anos, surgindo a dupla estadualmente, para a exitosa carreira nacional e internacional de ambos. Exemplo vivo da missão bem sucedida dos festivais!     

Apesar desse evento estar com 44 anos, e experimentado vários palcos em Santa Maria,  infelizmente teve interrompido várias edições, felizmente ano realizará sua 31ª edição, tudo cremos que na sede de sua origem, donde a nosso juízo nunca devia ter saído, da Estância do Minuano.    

Para pensar: Dizem que o bom filho sempre a casa volta e o bom evento também. Viva a Tertúlia Nativista!

Fonte! Chasque de Dorotéu Fagundes, recebido por e-mail, no dia 07 de março de 2024. Créditos foto: Sítio Facebook de Dorotéu Fagundes.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Coluna Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada (RS) - 22.12.23

MAIS UM NATAL

Desejamos aos leitores do Jornal A Semana, em especial os que nos acompanham aqui na coluna Tradição e Cultura (onde fixamos morada em dezembro de 1998 com a nossa primeira participação, sem falhar até hoje, nenhuma edição), um natal especial de primeira, carregado de muita saúde, paz e prosperidade.

CALIFÓRNIA DA CANÇÃO NATIVA – A ORIGEM (parte 1/5)

O ano era 1969. Conta Colmar Pereira Duarte em seu livro “Califórnia da Canção Nativa, Marco de Mudanças na Cultura Gaúcha”, idealizador e presidente do Festival por cinco anos, sobre o início pitoresco, quando o grupo “Os Marupiaras” resolveu cantar sua terra em um festival da canção popular promovido pela Rádio São Miguel de Uruguaiana. A música Abichornado foi eliminada pelo júri, que classificou um bolero, cantado em espanhol e um baião que falava da seca do Nordeste.

Era o 1º Festival de Música Popular da Fronteira. Os Marupiaras (homens felizes, na língua Guarani), participaram com a música Abichornado, com letra de Colmar Duarte e Música de Júlio Machado da Silva Filho.

Colmar, líder do grupo, assim como os demais integrantes, ficou literalmente “abichornado” com a desclassificação ainda na fase de triagem. Ele como homem do campo, pecuarista, na Estância Retiro, interior do município, onde viveu muitos anos lidando direto com atividades campeiras, viu decepcionado o real tratamento à música que “cantasse” a nossa cultura em um festival popular.

A partir de então nasce a ideia da criação de um festival que oportunizasse compositores, poetas e músicos a mostrarem através das suas composições a nossa cultura e tradição gaúcha, a partir de “um olhar do campo, onde só fosse permitido cantar o Rio Grande”. Entre os anos de 1970 e 1971, o festival começa a ser projetado.

O NOME CALIFÓRNIA

A origem do nome Califórnia por mais estranho que pareça, embora no primeiro impacto nos remeta ao país norte americano, na verdade, mesmo que em desuso no Rio Grande do Sul, refere-se a uma penca de cavalos, carreira de campo. Sempre quando se faz uma penca dessas, o dono do cavalo, o bolicheiro, tem um cavalo para correr. É uma forma de fazer a reunião. Por coincidência eu tinha uma música também. Era eu que queria a reunião. Estava inventado o movimento. O nome Califórnia não prejudica o movimento nativista que nasce deste festival. Isto porque se analisarmos a origem da própria cidade da Califórnia nos Estados Unidos, veremos que seu nascimento se deu devido a um português a serviço da Espanha, João Rodrigues Cabrillo. Lá chegando maravilhado com o conjunto de coisas belas, denominou Califórnia, significado em grego, que passou a identificar a região.

FICA PARA DEZEMBRO DE 1971 A REALIZAÇÃO DA 1ª EDIÇÃO

A realização via CTG Sinuelo do Pago, entidade tradicionalista, filiada ao MTG, respaldou o Festival por ser uma entidade voltada à cultura gaúcha e com personalidade jurídica consolidada, coisa necessária para a captação de recursos junto a leis de incentivo. 

Pesquisa e edição: Cesar Tomazzini Liscano. Sítio Facebook: https://www.facebook.com/cesartomazzini.liscano

Fonte: Califórnia da Canção Nativa, Colmar Duarte e José Édil de Lima Alves. Continua....

Fonte! Chasque (coluna) Tradição e Cultura do Jornal A Semana de Alvorada - RS. edição do dia 15 de dezembro de 2023, por Valdemar Engroff..... e .... segue o baileeeee.

domingo, 10 de dezembro de 2023

CALIFÓRNIA DA CANÇÃO NATIVA – A CIDADE DE LONA (4/5)

Créditos foto: Luiz Jairo Ribeiro, pai do amigo Jaime Ribeiro.

O acampamento do grupo “Os Angueras” deu início aos acampados na área fora da cidade de Uruguaiana e que se tornou mais tarde a cidade de lona. O grupo que estava participando desde as primeiras edições da Califórnia, procurou uma área para poder ficar à vontade e ensaiar. Nos anos seguintes surgiram outros interessados e o acampamento foi tomando forma.

A partir da IV Califórnia, foi necessário estruturar o local para acomodar participantes que já não encontravam vagas nos hotéis da cidade, nem tampouco no espaço no pátio do CTG Sinuelo do Pago, que abrangia uma área de 10 mil metros quadrados aproximadamente. Montou-se então a “cidade de lona” na sede da Associação Rural Agrícola e Pastoril, mais popularmente conhecida como “pastoril”, que fica em local distante cerca de cinco km do centro de Uruguaiana.

O local passou a abrigar as centenas de barracas que acomodavam os inscritos e visitantes por vários dias. O local foi adaptado para proporcionar as condições necessárias para receber e dar acomodações a centenas de pessoas, com construção de banheiros e instalações de energia elétrica até próximo às barracas. Além de um sistema de sonorização que prestava um excelente serviço de informação aos acampados.

A ESTRUTURA

A cidade de lona passou a contar com uma infraestrutura de uma verdadeira cidade, incluindo: Polícia Civil, Brigada Militar, telefone público, bombeiros, farmácia, padaria, churrascaria, juizado de Menores, armazém e açougue.

Para tanto, também foi estruturada de uma prefeitura, cujo primeiro prefeito foi o Sr. Adersom Vargas, que contava ainda com o Sr. Marcelo Chitoni como secretário e Isaias Munhoz, encarregado das tertúlias. A Pastoril era dotada de um local que podia ser utilizado para palco e apresentações de shows.

A cidade de lona era estruturada em bairros com sub-prefeitos sendo eles: Do lago, Timbaúva, Floresta, Do sol. Na entrada principal do acampamento havia um mapa dos bairros e ruas para melhor orientação dos visitantes.

OS MOMENTOS DE CIVISMO

Além de contar com a estrutura de uma “prefeitura”, a cidade de lona tinha momentos de civismo com a execução dos hinos riograndense e da cidade, além do recebimento da chama crioula, que após o encerramento da semana farroupilha percorria algumas estâncias e CTG´s, conduzida por piquete de cavalarianos e era recebida com muita pompa pelo público dos acampados e visitantes.

AS TERTÚLIAS

Aconteciam durante as noites em que no Cine Pampa não tinha apresentações, e até durante o dia, muitas tertúlias, embaladas pelos artistas que estavam se apresentando na Califórnia.

As cantorias se transformavam em verdadeira integração onde vários artistas cantavam os clássicos da música regional e sem cachês pois o que interessava era a interação com o público que acampava, e depois iam prestigiá-los nas apresentações de palco do festival. Era comum se encontrar por entre as barracas artistas como: Renato Borguethi, Grupo Uruchês, Cenair Maicá, Pedro Ortaça, Mário Barbará, Telmo de Lima Freitas, entre outros.

A CIDADE DE LONA PASSA A SER TAMBÉM O PALCO PRINCIPAL

A partir de 1983, o palco principal da Califórnia passou ser neste local, ou seja, por questões de logística e deslocamentos, a organização do festival resolveu transferir do Cine Pampa no centro da cidade para a “Pastoril” todas as apresentações artísticas.

Colaboração da pesquisa do amigo Jaime Ribeiro e do primeiro prefeito da cidade de lona o sr. Aderson Vargas.

Pesquisa publicada por Cesar Tomazzini Liscano em seu sítio Facebook:  https://www.facebook.com/cesartomazzini.liscano