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terça-feira, 30 de setembro de 2025

Tradicionalismo lembra a história e movimenta a economia no RS

Acampamento Farroupilha é somente um dos inúmeros eventos que impulsionam os negócios relacionados ao tradicionalismo no Estado / TÂNIA MEINERZ/JC

A tradição gaúcha, marcada por elementos como o chimarrão, a pilcha, o Cavalo Crioulo e o turismo histórico, vai muito além da preservação cultural: ela movimenta a economia do Rio Grande do Sul e reforça a identidade de um povo que se orgulha de suas origens e que, em 2025, comemora os 190 anos da Revolução Farroupilha. O tradicionalismo, organizado por meio dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), se tornou um dos pilares não só do folclore regional, mas também de um setor que gera emprego e renda, fomenta o turismo e impulsiona a produção local.
 
Um estudo realizado pela Feevale, em parceria com o Governo do Estado, revelou que o tradicionalismo movimentou, apenas em 2023, R$ 4,5 bilhões, em diferentes setores e manifestações culturais, representando uma força econômica relevante no Estado, com 0,70% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho. “Atividades ligadas ao tradicionalismo, como festas, danças, gastronomia e artesanato, consumo de erva-mate, de churrasco, os rodeios, a criação do Cavalo Crioulo, a moda, têm um impacto real no desenvolvimento econômico regional. Isso sugere que o apoio a essas atividades pode resultar em benefícios econômicos sustentáveis a longo prazo”, afirma o coordenador do estudo, economista e professor da Feevale, José Antônio Ribeiro de Moura. Entre as atividades vinculadas ao tradicionalismo que mais movimentaram a economia, conforme a pesquisa, estão rodeios (R$ 2 bilhões), festas (R$ 613,4 milhões), música (R$ 220 milhões), Cavalo Crioulo (R$ 1 bilhão), radiodifusão (R$ 2,3 milhões), projetos culturais (R$ 65,8 milhões), erva-mate (R$ 396 milhões), cutelaria (R$ 96 milhões) e churrasco (R$ 106,5 milhões). 
 
O professor chama a atenção para a contribuição dos rodeios e do cavalo crioulo, assim como das festas campeiras, para o crescimento da economia gaúcha. Somente em 2023, foram realizados 3.264 rodeios, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. “São 3,2 mil festas por ano, uma média impressionante de mais de 60 a cada fim de semana. Dessas, 9% são grandes eventos; 48%, médios; e 43%, pequenos, os quais geraram, somente com inscrições, R$ 980 milhões. Além disso, o investimento em rodeios, festas campeiras e torneios de tiro de laço foi de cerca de R$ 1,3 bilhão, totalizando um consumo de mais de R$ 2 bilhões”, detalhou.
 
Para Moura, a cultura do Rio Grande do Sul é rica e proporciona o desenvolvimento do Estado, além de mensurar a contribuição do segmento e o potencial de consumo para o PIB, de modo a contribuir para que as entidades tenham informações sobre a movimentação financeira de suas atividades, que podem auxiliar na captação de recursos, sejam públicos ou privados, para seus eventos e projetos. O estudo foi descontinuado em 2025, em função das enchentes que abalaram, de forma excepcional, os dados, com queda de 22% nos eventos como as festas campeiras, apenas para citar um exemplo. “Temos a intenção de reeditá-lo e ampliar o escopo, pois acreditamos que a influência do tradicionalismo na economia ultrapassa 1% do PIB. A dificuldade de mensurar objetivamente o impacto econômico da cadeia produtiva, tendo em vista o alto índice de informalidade (as estatísticas econômicas são frágeis, não captam o informal nem desdobram os dados por unidade da federação) e a incorporação dos dados por outros setores”, avalia Moura. 
 
Ao que tudo indica, os reflexos da enchente ficaram no passado, e a recuperação segue em franca expansão. Prova disso foi a 48ª Expointer que recebeu mais de 1 milhão de visitantes, o maior público da história do evento, e movimentou mais de R$ 4,4 bilhões em negócios. O impacto positivo da feira também se refletiu na economia local. Apenas o comércio instalado no Parque registrou faturamento superior a R$ 15,8 milhões, segundo levantamento da prefeitura de Esteio. Além disso, a taxa de ocupação hoteleira da região chegou a 83%. “O Estado do Rio Grande do Sul apresenta grande potencial de crescimento de seus produtos tradicionais, proporcionando desenvolvimento regional, uma vez que a maioria dos gaúchos continua bastante próximos às tradições, que vão além do churrasco, do chimarrão e das vestimentas, incluindo um senso de pertencimento”, acrescenta Moura.
 
O tradicionalismo no Rio Grande do Sul é rico e tem personalidade própria: ganha destaque especial no mês de setembro, principalmente por conta das comemorações da Semana Farroupilha, e a vida no campo e as tradições gaúchas são temas muito valorizados. Quanto o tradicionalismo movimenta anualmente no Estado, dá a capacidade, segundo o economista da Feevale, de planejar melhor as políticas públicas para o setor, além de buscar incentivos e fomento para essa cadeia produtiva que gera desenvolvimento e renda em cada município gaúcho. “O estudo contempla diversos benefícios e serve de base para políticas públicas de fomento às tradições, sendo um setor econômico e cultural extremamente importante, ligado à nossa identidade e ao nosso desenvolvimento. Como um gestor público vai propor uma política e dirigir recursos, transportar para o turismo, por exemplo”, diz Moura.
 
Para ele, discutir a relevância da tradição é fundamental para refletir sobre a relevância de manter práticas tradicionais em um cenário em que os modismos podem oferecer vantagens financeiras imediatas, especialmente quando a promessa de lucro fácil é irresistível. O estudo mostrou que o tradicionalismo une as pessoas em torno de interesses comuns, fortalecendo laços comunitários, condição vital para a resiliência das tradições, pois uma comunidade coesa é mais capaz de preservar e transmitir sua herança cultural. “Cabe destacar o grande interesse dos tradicionalistas em participar do estudo, devido à importância para novos projetos, abrir novos parceiros e trazer investimentos para o movimento”, acrescenta o estudioso.
 
O estudo foi coordenado pela Universidade Feevale, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), e contou com a participação das pastas do Turismo (Setur), da Cultura (Sedac) e da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).
 
Essa foi a primeira pesquisa mostrando o tradicionalismo como um setor produtivo e que se dedicou ao mapeamento de eventos, como rodeios e festas, de itens culturais, como pilchas e alimentos. O estudo ocorreu de julho de 2023 a abril de 2024, com nove eixos categorizados e mensurados. O método de trabalho incluiu formulação de hipóteses, análise dos segmentos do tradicionalismo e definição de coleta de dados, entre outros instrumentos.
 
Fonte! Chasque (reportagem) de Ana Esteves, especial para o Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS). Reportagem especial do dia 18 de setembro de 2025: https://www.jornaldocomercio.com/especiais/semana-farroupilha/2025/09/1218426-tradicionalismo-reforca-a-tradicao-e-movimenta-a-economia.html

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Carta ao Rio Grande do Sul!

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), que teve origem na fundação do 35 CTG, em abril de 1948, é uma federação de entidades tradicionalistas, criado oficialmente em 28 de outubro de 1966, portanto, prestes a completar 55 anos de existência.

O MTG, por si ou por seus filiados, realiza, desde o final da década de 1950, rodeios, festas campeiras, festivais e uma série de eventos que movimentam milhares de pessoas anualmente e respondem por significativa parcela da economia do estado. A “cadeia produtiva” do tradicionalismo gaúcho é responsável por milhares de empregos diretos e indiretos e contribui significativamente com a arrecadação de impostos por parte dos governos.
 
Sob o ponto de vista da cultura, da identidade regional, do orgulho de pertencimento da sociedade ou da preservação de importantes aspectos sociais atinentes aos valores e princípios que caracterizam o gaúcho, há consenso de que o MTG tem grande importância.
 
Nesta quadra da vida, enfrentamos todos um ambiente de incertezas, de lamentos pelas perdas humanas, de sofrimento pela falta de comida na mesa, de intolerância política, de incompreensão do que sejam direitos individuais e garantias sociais. Mas também vemos renascer a esperança e florescer o otimismo diante do avanço da vacinação contra o vírus dessa pandemia medonha e da diminuição dos casos de contaminação e mortes.
 
Diante de tudo isso, o Conselho Diretor do MTG, representado pela sua presidência, se manifesta publicamente, esperando que esse brado chegue aos mais longínquos rincões gaúchos, ocupe espaço nas mesas dos dirigentes políticos e mobilize todos quantos com ele comungam, para que possamos, de forma responsável, contribuir para à volta da vida social o mais próximo possível da normalidade.
 
Estimulamos e apoiamos a retomada de todos os eventos tradicionalistas!
 
Rodeios, festivais, festas campeiras, torneios de laço, apresentações artísticas, concursos, congressos, convenções, conferências, cavalgadas e tudo o mais que movimenta a cultura regional, que mobiliza famílias, que “faz a roda girar”, que faça os CTGs funcionarem, devem ser gradativamente e responsavelmente retomados.
 
Confiamos nos tradicionalistas que respeitarão os protocolos de segurança sanitária, confiamos nos dirigentes políticos e suas capacidades de bem gerenciar e equalizar temas complementares (jamais antagônicos) como SAÚDE, ECONOMIA e CULTURA.
 
A todas as patronagens de entidades filiadas, concitamos que busquem junto às prefeituras municipais o apoio e a parceria para a realização, da melhor forma, dos eventos do calendário tradicionalista. De parte do MTG haverá o necessário apoio.
 
Por fim, fazemos um apelo para que cada município, cada localidade, cada cidadão gaúcho faça tudo o que for possível para que os Festejos Farroupilhas de 2021 sejam realizados. Se não pudermos fazer tudo o que a data merece, faremos tudo o que for possível para merecer o respeito da história.
 
Porto Alegre, 23 de julho de 2021, na comemoração de 60 anos da Carta de Princípios do Tradicionalismo Gaúcho Organizado.
 
Manoelito Carlos Savaris - Presidente
 
Fonte! Buscamos este chasque no sítio oficial do MTG/RS no grande potreiro do Facebook, ali publicado em 23 de julho de 2021: https://www.facebook.com/MTGRIOGRANDEDOSUL