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sábado, 28 de junho de 2025

Erva-mate, símbolo da identidade gaúcha, ganha protagonismo em concurso de árvores gigantes

Créditos! Ilvandro Barreto

O concurso de Árvores Gigantes do Rio Grande do Sul irá revelar o maior exemplar de erva-mate (Ilex paraguariensis), árvore símbolo do Estado gaúcho. A ação é uma iniciativa coordenada da Universidade de Passo Fundo (UPF), e tem apoio da Emater/RS-Ascar e diversas instituições. A inscrição das árvores concorrentes deverá ser feita nos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar até o dia 30 de junho. A divulgação da árvore gigante será em 21 de setembro, quando se comemora o Dia da Árvore.

Na primeira edição, em 2023, a espécie em destaque foi a araucária (Araucária Angustifólia), também conhecida como pinheiro brasileiro. Nesta edição 2024/2025, o concurso focou na identificação das maiores árvores de erva-mate.

O objetivo é destacar exemplares de erva-mate que, devido à idade avançada, apresentam características genéticas adaptadas ao clima e solo, tornando-se candidatas ideais para a produção de mudas de qualidade. O concurso busca promover o turismo de observação das árvores gigantes e resgatar a importância dos ambientes florestais, ampliando a cultura florestal junto aos proprietários rurais, também valorizando a biodiversidade da flora nativa.

“A iniciativa proporciona uma compreensão mais ampla da importância da erva-mate. Seu papel é essencial na formação florestal no Estado, especialmente na região de Mata Atlântica, de onde é originária. Essa abordagem contribui para uma valorização mais profunda da erva, reconhecendo-a como um patrimônio cultural e ambiental”, explica o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto de Melo, ao ressaltar que as árvores inscritas serão avaliadas por equipes técnicas da Emater/RS-Ascar e parceiros. Ao final do concurso, as dez maiores a nível estadual passarão por uma última vistoria, realizada pela equipe da comissão organizadora.

ÁRVORE DE TRADIÇÃO

As árvores gigantes de erva-mate são exemplares remanescentes que sobreviveram à exploração florestal, que apresentam características genéticas adaptadas ao clima e solo da região. Essas árvores são de grande importância para a conservação da biodiversidade, servindo como habitat para diversas espécies da fauna silvestre. Elas desempenham papel fundamental na manutenção dos ecossistemas florestais, contribuindo para a saúde ambiental da Mata Atlântica. Pode ser encontrada nas florestas dos três estados do Sul do país.

A altura da árvore de erva-mate pode ultrapassar oito metros de altura. O caule é curto e cinza, e suas folhas são ovais e com aspecto de couro duro. O fruto é pequeno e pode ser verde ou vermelho-arroxeado. A extração e o cultivo da erva-mate seguem antigas tradições. Os primeiros a utilizarem a planta, fazendo infusão com as folhas, foram os indígenas Guarani e os andinos Quíchua. A origem da palavra mate deriva do quíchua matty, nome dado para a cuia, o recipiente onde o chá mate era bebido por estes povos.

Segundo o professor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Jaime Martinez, a origem da erva-mate está imersa em lendas indígenas, como a lenda da Caá-Yaríi, que narra a história de um velho guerreiro que, ao ser curado por um pajé com as folhas da planta, recebeu o poder de revigorar-se. “Essa lenda reflete a reverência dos povos indígenas pela erva-mate, considerada um presente dos deuses e parte essencial de sua dieta e cultura”, completa Martinez.

A erva-mate possui uma simbologia profunda para os povos do Sul do Brasil, especialmente no RS, onde está enraizada na cultura local. O chimarrão, bebida tradicional preparada com as folhas da erva-mate, é um símbolo de hospitalidade, amizade e identidade regional.

VALORIZAÇÃO

O lançamento oficial do concurso ocorreu em março, durante a Expodireto Cotrijal 2025, em Não-Me-Toque, por ocasião do 17° Fórum Florestal do Estado. O evento reuniu produtores, pesquisadores e lideranças para discutir formas de valorizar a produção de erva-mate e sua importância no contexto ambiental e econômico do Estado.

O concurso conta com a parceria do Laboratório de Manejo da Vida Silvestre (Lamvis/UPF), Projeto Charão, Câmara Setorial Estadual da Erva-Mate, Emater/RS-Ascar, Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Prefeitura de Passo Fundo, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), através da Floresta Nacional (Flona) de Passo Fundo, Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Programa Gaúcho para Qualidade e Valorização da Erva-Mate, Sindicato das Indústrias do Mate do Estado do Rio Grande do Sul (Sindimate/RS), entre outras entidades representantes.

Fonte! Chasque (post) publicado no Portal da Tradição, de Passo Fundo (RS), em 26 de junho de 2025. Abra as porteiras clicando em:  https://portaldatradicao.com/noticia/1779212/erva-mate-simbolo-da-identidade-gaucha-ganha-protagonismo-em-concurso-de-arvores-gigantes

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Projeto visa conservar genética de árvores que produzem erva-mate

Intenção da iniciativa é perpetuar, para gerações futuras, os ervais que estão presentes no Rio Grande do Sul /EMATER/DIVULGAÇÃO/JC 

Um projeto que objetiva resgatar, multiplicar e conservar o material genético de erva-mate de árvores matrizes, que são remanescentes florestais nativos no Rio Grande do Sul, começou a ser estruturado. As tratativas já estão feitas e a estruturação técnica e operacional sendo formatada. O projeto tem a previsão de inicio ainda em 2020, com intensificação nos cinco polos ervateiros do Estado a partir de 2021

Desenvolvido em parceria com as instituições da cadeia produtiva ervateira, a iniciativa tem a finalidade de perpetuar para gerações futuras a base genética dos ervais gaúchos, evitando uma perda irrecuperável desses materiais, que até então conseguiram sobreviver e evoluir diante das mudanças no uso da terra e a perda da cobertura de floresta nativa.

O projeto prevê três etapas distintas: resgate, multiplicação e conservação. A primeira delas consiste na identificação de cada árvore doadora do genótipo. Já a segunda está focada na coleta e multiplicação do material identificado e a terceira, na conservação em bancos de germoplasma, constituídos para tal, e reintrodução dos materiais genéticos resgatados nos locais de origem. Não necessariamente, a seleção do material irá visar melhoramento, mas sim, a preservação da diversidade para que ela possa seguir no ecossistema.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto de Melo, o Programa Gaúcho para a Qualidade e a Valorização da Erva-mate,segue independente, conforme o modelo de gestão adotado. Melo ainda reforça que embora o projeto tenha alcance estadual, a sua formatação seguirá a estrutura geográfica dos polos ervateiros do RS, com a finalidade de respeitar ao máximo a característica e a distribuição das populações locais da espécie em acordo a cada região ervateira do Estado.

"Devido à complexidade em que o projeto se insere, a participação multidisciplinar e interinstitucional será fundamental para que na prática os objetivos sejam alcançados. É difícil de avaliar o valor de um projeto dessa magnitude pelo que representa, pois permitirá conservar na linha do tempo para as futuras gerações, parte da expressiva diversidade genética presente na árvore símbolo do Rio Grande do Sul, que além de economia, é cultura, convivência social, sustentabilidade, identidade e simbolismo do povo sul-americano", avalia Melo.

Fonte! Chasque publicado no Jornal Cidades, encartado na edição dos dias 21, 22 e 23 de agosto de 2020, do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS).