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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

A música e a trajetória do missioneiro Noel Guarany

Noel é autor de clássicos como a milonga Romance do Pala Velho

Noel é autor de clássicos como a milonga Romance do Pala Velho

documentário minhas andanças/REPRODUÇÃO/JC
Em cada cidade missioneira, no Noroeste do Rio Grande do Sul, não há quem não tenha um causo para contar sobre Noel Guarany, falecido em 1998 aos 57 anos. Baita violeiro, uma voz em defesa dos mais pobres, dizem todos, tinha o sangue quente, era franco e rude no trato social. Além da faca na guaiaca, carregava um revólver 38 e tinha um jeito temerário de afrontar as pessoas. Ok, nunca esfaqueou ou baleou alguém, mas sabia ferir com a língua afiada.
 
Uma noite num bar de São Borja, onde lanchava com um colega após um show, ficou irritado quando se meteu na conversa - sobre música - um sujeito grandalhão que nitidamente não dominava o assunto. Sem se levantar da cadeira, o franzino Noel só disse: "Tu não tem nada que te meter na conversa dos outros - ainda mais tu que não sabe nem assobiar!". O intrometido sentiu o golpe e quis brigar. Mas não faltaram os "amadrinhadores" com seus refrões de paz.
 
Foram muitos os episódios em que a petulância de Noel precisou de contenção. O banrisulino José Ordonez Antunes Ribeiro, que hoje vive aposentado em Capão da Canoa, apartou duas brigas dele, uma dentro do restaurante Casarão, em São Luiz Gonzaga. De outra vez, num bar lotado de Santa Maria, Noel se incomodou com algo e pôs à vista seu Smith&Wesson niquelado. Alertado, o dono da casa puxou um dos acompanhantes do artista e pediu: "Pelo amor de Deus, desarme esse homem antes que aconteça uma tragédia!" Seria o caso de chamar a polícia?! Ou desafiar para um duelo? Beto São Pedro, amigo de Noel, o convidou para irem ao banheiro. Lá, com jeito, pediu o revólver. Surpreendentemente, ele aquiesceu.
 
Só amigos e parentes sabiam que "Noel tinha lado de montar". Parece que o carinho o desarmava. Uma noite em que animava uma de tantas tertúlias na casa da prima Tunica Pereira, em São Luiz, ele parou de tocar e disse que só continuaria se todos parassem de fazer barulho. A parenta (que o ajudava nos apertos e também era despachadona) respondeu na hora: "Se eu quisesse escutar Noel em silêncio, pegava um disco dele...". O cantor sorriu e retomou a sessão que atraía velhos e crianças da vizinhança.
Em meados da década de 1970, sua fama extrapolava as Missões, de onde sumira em 1960, após desertar do quartel do 3º RC, onde prestava o serviço militar. Para não pegar cadeia por insubmissão, se bandeou para a Argentina, de onde voltou sete anos depois, notoriamente amadurecido como músico e cantor, mas ainda predisposto a fazer como na música de Teixeirinha: "...se alguém me pisar no pala/ meu revorve fala/ e o bochincho está feito".
 
Talvez em homenagem ao seu pai, João Maria Fabricio da Silva, que trabalhou como barbeiro (civil) no quartel de São Luiz, o ex-desertor foi declarado incapaz (de servir ao Exército, claro). Em uma de suas canções, Noel afirmou que o amor à pátria é a maior virtude de um latino-americano - começava a aparecer o nacionalismo que o fizera adotar o apelido Guarany, molde definitivo de sua imagem artística e política.
 
Com 'pátria' ele queria dizer 'terra', um entendimento nascido de suas andanças pelos países vizinhos. Como largou a escola no terceiro ano, não se aprimorou na escrita, mas aprendeu sozinho a articular-se nos dois idiomas falados na América Latina. Numa de suas primeiras gravações após voltar a São Luiz, mandou ver: "Total, por ser guitarreiro/ aprendi barbaridade/ Cantador, sou perigoso". Bem ou mal, toda sua obra musical refletiu seu modo radical de ser. Um radialista que conviveu com ele concluiu: "Noel tinha dois dentro dele, um brigando com o outro: queria ser respeitado mas ficava puto por ser bajulado".
 
Seu primeiro sucesso foi o Romance do Pala Velho, milonga sentimental em que pede: devolvam o pala que sumiu na noite que passou "na maldita perdição".
O músico agora é tema do documentário Minhas Andanças (imagem no alto) dirigido por Tiago Rodrigues e inspirado em dissertação de mestrado de David Cunha - a estreia será em 2021.

Romance do Pala Velho

Uma vez fui na cidade
Na maldita perdição
Lá perdi meu pala veio
Que me doeu no coração
Quando voltei da cidade
Vinha com dor na cabeça
Cheguei fazendo promessa
Deus permita que apareça
Encontrei xiru do posto
E não deixei de maliciar
Que ele achou meu pala veio
E não queria me entregar
Fui dar parte ao comissário
Ficou pra segunda-feira
Me levaram na conversa
E se foi a semana inteira
Veja as coisas como são
Como se forma a lambança
Que pelo mal dos pecados
Era o forro das crianças
Com este meu pala rasgado
Passava campos e rios
Com este meu palinha veio
Não temo chuva e nem frio
Informem nas vizinhanças
Este triste sucedido
Quem tiver meu pala velho
Que prendam este bandido
Neste mundo todos morrem
Da morte ninguém atalha
Me entreguem meu pala velho
Para mim levar de mortalha.

Índio no nome e na alma

Caçula de uma família de cinco irmãos - Tarzan (que morreu cedo), Basilio, Ernestina e Bárbara (a única sobrevivente, reside em Porto Alegre), Noel Fabricio da Silva foi criado em São Luiz, a terra natal do pai; a mãe, Antonina Borges do Canto, era de São Nicolau, a mais antiga (1626) redução guarani fundada pelos jesuítas espanhóis; seu sobrenome vinha de um soldado festejado como conquistador das Missões em 1801.
 
Autodidata, Noel era piá quando aprendeu a tocar gaita, mas aos 15 anos optou pelo violão, no qual desenvolveu o pendor musical. Na sua vida teatina do outro lado do rio Uruguai, trabalhou como peão, balseiro, lenhador e coletor de erva-mate, atividades que lhe deram um real conhecimento da cultura popular dos países por onde andou - além da Argentina, o Paraguai e a Bolívia. Em alguns momentos, também vagou pelo Mato Grosso e o Rio Grande do Sul.
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Caricatura publicada em 1976 no jornal Versus, que fez um perfil do músico. Acervo Pessoal
Quando voltou de sua longa aventura fora-da-lei, em 1967, morou por um tempo em Cerro Largo, onde fez um programa de rádio. Já era conhecido não só por tocar em praças e galpões, mas por ter participado de eventos na Argentina, entre eles o famoso Festival de Folclore de Cosquín, na província de Córdoba. Instituído em 1961, esse festival serviu de inspiração para a Califórnia da Canção Nativa, marco da história da música regional fixado em 1971 em Uruguaiana. 
Na pioneira edição desse festival nativista, consta que Noel ciceroneou o músico argentino Chaloy Jara (1940-2011), que faria praça no Rio Grande como grande tocador de bandoneon. Jara foi o primeiro de uma lista refugiados que incluiu grandes nomes como Luiz Yanel, Dante Ledesma, Talo Pereyra e Martin Coplas, que musicou a Missa da Terra Sem Males, cujos textos foram escritos por Pedro Tierra e o bispo católico D. Pedro Casaldáliga, inspirados na célebre Misa Criolla dos argentinos Ariel Ramirez e Felix Luna.
Recém-entrado nos 30 anos, Noel casou em fevereiro 1972 com a sanluizense Neidi Machado da Silva, 10 anos mais jovem. De um namoro antigo, ele já tinha uma filha, Andréa, que vive hoje em Santa Rosa. De início, o casal morou em São Luiz, mudando logo para Porto Alegre e, a seguir, para Santa Rosa, Passo Fundo e Itaqui, último pouso antes da transferência final para Santa Maria, em 1984. Segundo Neidi, a maior parte das mudanças de domicílio da família foi determinada pelo trabalho dela, como funcionária concursada da estatal CRT, pela qual se aposentou como gerente administrativa durante a privatização da companhia, em 1998.
 
Em cidades missioneiras e na Capital, Noel é lembrado como um sujeito "genial e genioso" que vivia muito fora de casa em função dos altos e baixos de sua carreira incomparavelmente agitada. Mesmo sendo um farrista inveterado, viveu mais do dobro do que o outro Noel, o Rosa, genial sambista carioca que se foi aos 27 anos, abatido pela tuberculose.
 
Nascido no pós-Natal de 1941, o missioneiro morreu de ataxia cerebral, doença degenerativa que lhe roubou a memória e a mobilidade - um suplício para um andarilho atávico. Passou os últimos anos rodeado pela esposa e as três filhas - Lia, a primeira, é funcionária pública municipal; Linda é técnica em radiologia e mamografia; a caçula Laura, formada em canto, adotou o apelido paterno para tentar a carreira artística mas, isolada pela pandemia, dedica-se a vender camisetas com versos do pai.

Noel Guarany foi chamado de Atahualpa Yupanqui brasileiro

O jornal esquerdista Versus, lançado em outubro de 1975, adotou Noel Guarany como o espelho brasileiro do argentino Atahualpa Yupanqui (1908-1992). E bem que o missioneiro rio-grandense gostou da comparação. Mais de uma vez ele atendeu a convites para se apresentar (sem cachê) em São Paulo, sede do mensário criado pelo jornalista Marcos Faermann (1943-1999), gaúcho de Rio Pardo.
 
O primeiro foi um show para arrecadar fundos no primeiro aniversário do jornal, que tirava 25 mil exemplares por mês. Noel cantou no auditório da Fundação Getulio Vargas, ao lado de Gonzaguinha, Dércio Marques, Tarancón e outros. Na edição especial daquele mês, Versus publicou, sob o título O trovador maldito, um perfil do "guasca de modos bruscos e respostas desaforadas". O texto do repórter gaúcho Carlos Alberto Kolecsa abriu aspas para o folclorista Barbosa Lessa (autor do clássico "Homens de Preto"), que dera as boas-vindas a Noel Guarany por trazer à luz, surpreendentemente, "a cantiga de galpão, a meio caminho entre a narrativa declamada e o canto propriamente".
 
A matéria de Kolecsa apresentou Noel como "um elo perdido" entre o gaúcho primitivo e o moderno: "Desde que a sanfona, há um século, matou a viola, também se supunha o violeiro um espécime extinto, uma garganta engasgada antes de passar adiante o seu tesouro. No fechado clube masculino do galpão de estância, em volta do fogo, o violeiro era, sem saber, o cofre vivo da cultura camponesa. Juntava os causos que sabia e os que lhe contavam nas rodas de caña, e da mistura das desgraças e alegrias afinadas pela própria sensibilidade e talento tirava as canções. A pequena plateia privilegiada ouvia, aprovava ou reprovava".
 
O repórter compara as reduções jesuíticas a um "internato de insubmissos, em que (...) não se pergunta ao migrante por que atravessou sorrateiramente o rio". Esses lugares cheio de plantações, rebanhos e povoados com nome de santo foram "o meio ideal para um jovem desertor, solto na vida desde os 14 anos, guapo, capaz de montar tão bem quanto de guiar o caíque carregado de cachaça até a trilha do contrabando". Pronto, estava feito um dos melhores retratos do transgressor, galo de rinha com "dois processos por agressão".
 
Aos 34 anos, o trovador maldito estava no quarto disco, gravado em Buenos Aires em dupla com o pajador Jayme Caetano Braun. Na entrevista ao jornal, Noel se queixou de ser discriminado: "Em carta meio jocosa, a Ordem dos Músicos do Brasil informou que não sabia que eu era músico. Qualquer filho de estancieiro pode tirar carteira de músico, eu não. Ora, vão pros infernos com os regulamentos." Ele se sentia vítima de preconceitos arraigados: "No Brasil não basta ser artista. Tem que ser artista extraordinário, ser mais forte que todas as consequências de viver num país subdesenvolvido". E explicou onde buscava forças para levar adiante seu trabalho: "Quando eu gravo, gravo para quem conheço e não conheço. Vou atuar e atuo, uma questão de consciência profissional. No meu jeito de índio grosso, vou fazendo um trabalho didático, de marketing, em que não me importo com o dinheiro, com nada".
 
No final do depoimento, ele elogiou os ribeirinhos da fronteira Brasil-Argentina: "Fui balseiro. Sei o que sente aquela gente que vive em volta do rio. Os navegadores do Uruguai vivem de histórias, de inspiração. Olham uma pedra no meio do rio e falam: Ali tem uma força maior na água, o que será que não tem embaixo... Olham um angico meio deitado na ribanceira e identificam nele as histórias da infância, de pescarias, de contrabando. Vivem da natureza e se guiam por ela. Antes de lavarem a cara vão ver se o rio está no mesmo lugar, o que mudou durante a noite, tentam adivinhar o bom e o ruim que vai acontecer durante o dia."

O parceiraço de Itaqui

Segundo a viúva Neidi Fabricio da Silva, o maior dos amigos de Noel foi João Sampaio, poeta de Itaqui, seu parceiro em várias canções. Dono de "um campinho" no vale do Ibicuí, João conheceu o artista após ouvir no rádio a música Gaudério, gravada em 1970 por Noel com base em poema do médico tupanciretano Aureliano de Figueiredo Pinto (1898-1959), que viveu em Santiago. Mesmo sabendo que o cantor era coiceiro, Sampaio lhe mostrou uma letra sobre Gumercindo Saraiva. Foi em 1976, os dois estavam na Expointer, onde Noel se apresentou ao lado de um harpista paraguaio. Noel leu, ficou pensando e depois falou: "Acho que podemos começar uma parceria".
 
Das 87 canções gravadas por Noel em uma dezena de discos, 13 foram escritas por João Sampaio, que largou o curso pré-universitário em Porto Alegre - foi aluno do professor José Fogaça - para se dedicar à pesquisa sobre as origens do tipo gaúcho. Vem daí sua admiração pelo parceiro. "Noel colocou a musicalidade índia na cultura do Rio Grande", diz, lembrando o quanto ele emocionava as pessoas ao cantar Índia e outras canções de raiz guarani. Isso nos primórdios da carreira.
 
Com o tempo, afirma Sampaio, Noel aprofundou seus estudos e abriu uma picada que atraiu músicos de outras áreas. Cenair Maicá, por exemplo, começou como tradicionalista; Pedro Ortaça foi parte da dupla sertaneja Canario & Canarinho. Juntos ao lado do pajador Jayme Caetano Braun, os três desenvolveram a mescla identificada como "música missioneira" - muito falada e pouco estudada. "Sem nunca sair do trilho", como disse numa canção, Noel correu em faixa própria da música regional gaúcha.

Shows no circuito universitário e rádio em Santa Maria

Como o parceiro Jayme Caetano Braun (1924-1999), Noel Guarany foi um trabalhista sempre pronto a colocar violão e voz "a serviço das liberdades democráticas". Sem cachê, apresentava-se em comícios de candidatos amigos ou afinados politicamente com ele. Enquanto o festejado pajador frequentava salões da cultura tradicionalista, Noel tinha aversão a tudo que cheirasse a CTG. Teimoso, não se dispôs a participar de festivais de música que se tornaram uma grande fonte de trabalho artístico a partir do movimento nativista desencadeado pela Califórnia de Uruguaiana. Em certo momento, se declarou envergonhado da indumentária "espalhafatosa" dos gaúchos de CTG.
 
Ao fechar assim quase todas as porteiras para seu trabalho, Noel não recusava convites de dirigentes estudantis nos anos 1970. "Os estudantes o adoravam", lembra o historiador Luiz Carlos Tau Golin. Admiravam sua franqueza, vendo na sua boina surrada uma ligação direta com Che Guevara - um dos seus ídolos, ao lado de Sepé Tiaraju, Tiradentes e Simon Bolivar.
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No jornal A Razão, Santa Maria, Noel (de boina) ao lado de Tau Golin, que reuniu acervo e ajudou na gravação de discos. ACERVO TAU GOLIN/DIVULGAÇÃO/JC
Jornalista que virou professor de História, Tau Golin conheceu Noel no início dos anos 1970 quando fazia parte de um grupo de estudantes que se reunia para beber, churrasquear e ouvir música em Santa Maria. Dessas tertúlias participava também o cantor Cenair Maicá, parceiro de Noel em aventuras musicais pelo interior do Rio Grande e além fronteiras. 
 
Estudante e radialista, Golin usava fitas de rolo para gravar shows em Santa Maria e em outras cidades. Apresentava o material colhido no programa Continente Latino-Americano, que começou na Rádio Santa-Mariense e, depois, ficou no ar por quase 10 anos na potente Imembuí aos domingos das 12h às 14h. Já no programa Boca do Monte, diário, o apresentador dava ênfase à produção musical dos missioneiros liderados por Noel, Maicá e Pedro Ortaça, os três cantores considerados "troncos missioneiros" ao lado do pajador Jayme Caetano Braun.
 
Graças a essas reportagens, Golin reuniu um acervo que lhe permitiu ajudar na gravação de diversos discos. Do show de Noel em 8 de junho de 1982 no Centro de Atividades Múltiplas de Santa Maria, saíram as canções do CD póstumo Noel Guarany - Destino Missioneiro (2003), lançado junto com o livro de igual título, editado pelo radialista e ex-editor da revista Nativismo (que circulou nos anos 1980) Chico Sosa, que se baseou em anotações feitas pelo próprio cantor.
 
Além dos missioneiros, o arquivo de Golin contém diversos shows d'Os Tapes, conjunto instrumental-vocal gravado em 1974 por Marcus Pereira, produtor paulista que fez um pioneiro mapeamento discográfico da música regional brasileira.
 
Hoje professor na Universidade de Passo Fundo, Golin lembra que muitos shows de Noel foram promovidos por estudantes universitários engajados na luta pela redemocratização. Com o sucesso em shows e no rádio, o cantador era convidado a se apresentar pela bilheteria em tertúlias para algumas dezenas ou por cachê em eventos para multidões. Sempre o mesmo: ficava fulo se o público não prestasse atenção.
 
Numa festa agropecuária em Julio de Castilhos, parou de tocar quando dezenas de pares começaram um arrasta-pé longe do palco. Sem música, a dança parou. Ao voltar a tocar, Noel embraveceu ao ver o povo querendo baile. "Não canto para gente mal educada", bradou. Em resposta, alguns espectadores jogaram cadeiras sobre o palco. Noel teve de sair do parque escondido numa Kombi.
 
Por trás desse episódio, revelou-se uma contradição anotada por Tau Golin: o público de Noel era o mesmo dos artistas tradicionalistas.
 
Numa de suas andanças, Noel Guarany sofreu um corte profundo no dedo indicador da mão esquerda, o mais importante no dedilhar das cordas do violão. Estava picando carne para um arroz de carreteiro em casa de amigos, justificou.
 
O acidente o manteve sem tocar por longo tempo. Como consolo, foi convidado a fazer um programa musical na rádio da universidade de Santa Maria. Como não possuía discos, abastecia-se na discoteca particular de Tau Golin, que intercambiava material cultural com estudantes latino-americanos conveniados com a UFSM.
 
Quando voltou a tocar, Noel não era o mesmo violeiro de antes, aquele que punha as plateias numa espécie de transe místico. Foi uma perda sentida especialmente por ele.
 
Por essas e outras ocorrências, na década de 1980, Noel se deu conta de que a fama não lhe trouxera fortuna. Quem garantia a estabilidade financeira da família era o salário da esposa. E assim ele foi se isolando até adoecer. Os sintomas apareceram no final dos anos 1980. Começou a esquecer as letras. Se tocar violão era penoso, o cantar nem sempre fluía como antes. Na primeira metade dos anos 1990, quando ele estava totalmente parado, amigos de Santa Maria organizaram um show em seu benefício.

A estátua em Bossoroca

Embora tenha nascido pelas mãos de parteira doméstica em São Luiz Gonzaga, Noel se declarou natural de Bossoroca, o ex-distrito "onde galinha não canta e tatu não sai da toca", como disse numa de suas canções de rimas bizarras.
 
Município desde 1965, Bossoroca possui uma confraria (Icamaquã, em homenagem a um rio regional) que liderou a arrecadação de recursos para a construção de uma estátua do cantor, obra de 4,50 metros de altura executada pelo escultor Vinicius Ribeiro, especialista em grandes imagens de concreto.
O monumento foi inaugurado em 2015 a cerca de 500 metros do túmulo, bastante visitado, até porque fica na entrada da cidade.
 
Numa das últimas vezes em que esteve lá, João Sampaio lavrou um soneto cujos tercetos terminam assim: "Desde o dia da tua morte/ Sopra um negro vento norte/ Querido Noel Guarany/ O povo visita a tua campa/ E até os quero-queros da pampa/ Sentem saudades de ti...".
Segundo Ribeiro, que mantém um blog muito bem-humorado, Noel Guarany assumiu Bossoroca como terra natal após indispor-se com pessoas de São Luiz Gonzaga que o desqualificavam como "incapaz" de gravar um disco.
 
Ao trocar a cidade-mãe pelo antigo distrito, Noel fez o contrário de Teixeirinha, que ficou famoso como "gaúcho de Passo Fundo," embora tivesse nascido em Mascarada, distrito de Rolante.
Hoje os direitos autorais das 700 músicas, discos e filmes de Teixeirinha fluem para a Fundação Vitor Mateus Teixeira, criada pela advogada Elisabeth Teixeira, filha do artista. Já a herança artística de Noel Guarany rende pouco para suas herdeiras.
 
"Para render, as músicas teriam de estar tocando", conforma-se a viúva do artista.

Fonte! Chasque (reportagem) de Geraldo Hasse, publicado nas páginas do Jornal do Comércio de Porto Alegre (RS) em 17 de dezembro de 2020. Também acessível nos potreiros da internet. Abra as porteiras clicando em:https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/reportagem_cultural/2020/12/770909-a-musica-e-a-trajetoria-do-missioneiro-noel-guarany.html

Geraldo Hasse é jornalista, nascido em Cachoeira do Sul, formou-se em Pelotas. Escreveu uma dezena de livros sobre agricultura, economia, história e meio ambiente. É autor de biografia sobre o escritor e professor Darcy Azambuja.

domingo, 23 de agosto de 2020

Pedro Ortaça mantém viva a música missioneira

Aos 78 anos, Pedro Ortaça é único tronco missioneiro ainda vivo e continua legado junto à família /

BRENDA QUEVEDO/DIVULGAÇÃO/JC

 
Entre as décadas de 1970 e 1980, São Luiz Gonzaga vivia uma efervescência cultural. A cidade retomava suas origens na história das Reduções Jesuíticas através da arte, da música e da poesia. Essa retomada não veio à toa. A intensa crise econômica mundial afetava a região e a autoestima dos moradores. Foi nesse cenário que os artistas construíram uma identidade que até hoje influencia a região.
 
O passado escolhido para ser retomado foi a segunda fase das Reduções Jesuítas, um movimento feito pelos padres mandados pela Companhia de Jesus para catequizar os índios. No século XVII, os jesuítas conseguiram a formação das reduções de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista e Santo Ângelo Custódio.
 
Mas para além da região brasileira, os Sete Povos das Missões pertenciam a um sistema maior, conhecido como República Guarani, que também compreendia locais na Argentina e no Paraguai. A organização de uma república sem classes, a luta dos índios em defesa da terra e os valores cristãos foram trazidos de 300 anos atrás para se construir uma identidade própria da região.
 
A reportagem cultural especial do Jornal do Comércio investigou a construção dessa identidade que tem como principal marco a música missioneira na imagem dos Quatro Troncos: Noel Guarany, Jayme Caetano Braun - conhecido como El Payador -, Cenair Maicá e Pedro Ortaça.
 
A denominação veio do disco Troncos Missioneiros, lançado em 1988, no auge da retomada cultural que os missioneiros viviam. O álbum, junto com a criação da Mostra de Arte Missioneira, impulsionou um movimento cultural que formou uma coletividade de artistas e uma educação musical que até hoje repercute na região.
 
Dos quatro troncos, hoje apenas Pedro Ortaça vive e continua tocando o estilo missioneiro, fazendo shows com os três filhos Marianita, Gabriel e Alberto. Com 78 anos, o artista busca a valorização cultural dos músicos da região. Ortaça e o deputado Paparico Bacchi (PL) protocolaram no final de julho o Projeto de Lei "Pedro Ortaça", com o objetivo de tornar obrigatória a contratação de músicos e artistas na abertura de eventos musicais patrocinados ou financiados com recursos públicos.
 
A mistura de ritmos como milonga e chamamé, a forma de poesia improvisada chamada payada, letras que misturam português, espanhol e guarani e causos sobre as vivências nos países vizinhos são alguns elementos que constituem a musicalidade missioneira. Nas Missões, algumas famílias são constituídas em sua maioria por músicos, é comum reunir os amigos e familiares para tocar em datas festivas e as crianças são incentivadas na música desde cedo.
 
A cultura musical em São Luiz Gonzaga também pode ser vista pela quantidade de músicos que nasceram lá, como Noel, Pedro e Jayme e outros artistas conhecidos como Luiz Carlos Borges e Jorge Guedes. Com toda a popularidade e história, em 2012, o município foi instituído como Capital Estadual da Música Missioneira pela Assembleia Legislativa. A fama pegou e há quem diga que as crianças em São Luiz Gonzaga não nascem chorando, mas sim cantando."

Mataram meus infinitos/E me expulsaram dos campos/Da terra nasceram gritos/Dos gritos brotaram cantos! Trecho da música de Cenair Maicá no LP Troncos Missioneiros, da USA Discos (1988)

Uma identidade construída

São Luiz Gonzaga foi instituída Capital Estadual da Música Missioneira, título que expõe com orgulho / LARISSA BURCHARD/DIVULGAÇÃO/JC
 
A construção de uma identidade e de um estilo missioneiro veio em um contexto de fragilidade econômica não apenas nas Missões, mas mundialmente. A crise do petróleo que ocorreu entre o fim dos anos 1970 até meados da década de 1980 afetou a economia de agricultura e a autoestima da comunidade que tinha esperança de crescimento.
 
Além disso, como conta a doutora em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Roselene Pommer, a questão política em São Luiz Gonzaga também era uma particularidade. "No final dos anos 1970, São Luiz foi uma das únicas a eleger um prefeito do Movimento Democrático Brasileiro indo no inverso de prefeitos da Arena na época do bipartidarismo. E foi esse prefeito que liderou as comemorações do centenário de emancipação da cidade, é essa festa que vai resultar a ideia das feiras culturais", explica. A participação do poder público na comemoração da emancipação da cidade, em 1980, foi um modo de motivar os são-luizenses por meio de diversos eventos sobre a história reducional.
 
Antes disso, um jovem músico voltava à cidade com uma bagagem cultural depois de viver sete anos viajando e tocando na Argentina, no Uruguai e no Paraguai. Noel Fabrício da Silva, com o nome artístico Noel Guarany, já movimentava os músicos da cidade para o surgimento de um estilo missioneiro de tocar, que falasse sobre a realidade e as injustiças da região. O cantor não gostava dos festivais e concursos que ocorriam na época e se reuniu com outros artistas e intelectuais para a criação de uma feira que não buscasse a competição, mas sim a valorização das Missões.
 
Os três fatores entraram em uma panela de pressão que, ao explodir, sacudiu a cultura da região. O modo de cantar de Noel e a oposição à ditadura militar da cidade veio ao encontro de uma necessidade de retomar os valores da história reducional da região, trazendo elementos como a luta dos índios guaranis e a figura do Sepé Tiaraju.
 
Em 1981, foi realizada a Mostra de Arte Missioneira, um evento que reuniu artesãos, músicos, poetas e pesquisadores das Missões, integrando a Argentina e o Paraguai. De acordo com Roselene, esses fatores contribuíram para que a comunidade negociasse com o passado reducional e passasse a entendê-lo como parte da sua identidade. "Esse passado reducional era tido como um passado das ruínas que eram consideradas um monte de pedra e para muitos não tinha nenhuma significação. A partir do movimento das mostras que este passado vai ser ressignificado", esclarece Pommer.
 
A identidade construída a partir da negociação com o passado reducional pode ser observada em diversos aspectos físicos ou subjetivos. Segundo o professor da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus São Borja, Muriel Pinto, a identidade missioneira é observada na herança cultural, religiosa, lendária e mística, não sendo apenas histórica, mas também simbólica por trazer vivências. Em sua pesquisa sobre a identidade Missioneira em São Borja, o professor encontrou na religiosidade e na música os traços mais marcantes da região. "Em São Borja nós temos as imagens sacras da época e também procissões que são feitas há mais de 100 anos. E a música missioneira se reproduz também no chamamé porque essa musicalidade vem do período missioneiro. O chamamé era uma mistura da musicalidade nativa com a espanhola, do flamenco, vem do folclore correntino", aponta Pinto.

Uma música em homenagem à terra

Jayme C. Braun, João Máximo, Noel Guarany, Pedro Ortaça, Dedê Cunha e Cenair Maicá no festival Coxilha Nativista / /ARQUIVO JOÃO SAMPAIO/DIVULGAÇÃO/JC

Os músicos da região foram absorvendo essa herança, formando um estilo de cantar e tocar missioneiro. A principal diferença da música está nas letras que falam sobre a história das reduções, a valorização da terra e o Rio Uruguai, colocando os índios guaranis como protagonistas. Como explica o mestre em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Iuri Daniel Barbosa, a música missioneira se conecta com os ideais da República Guarani. "Eles passaram muito mais na letra e na mensagem o que eles entendiam sobre esse passado. Ela se conecta com os ideais que é de uma República Guarani e pensando sobre como eles viviam, como a região era diferente, na imagem do Sepé Tiaraju, do Andresito, desses heróis", explica.

O estilo da região é representado principalmente na figura de Noel Guarany, considerado seu pioneiro. O músico João Sampaio, 62 anos, acompanhou o início da carreira de Noel, a quem considera pai, irmão e amigo. "Para mim, ele foi um profeta das Missões, o precursor de uma cultura", comenta. Em homenagem ao amigo, Sampaio tem reunido fotografias, reportagens e músicas para escrever a biografia de Noel. "Eu conheço várias histórias dele, acredito que ele merece ser reconhecido pelo seu pioneirismo na região", aponta João.

Guarany conheceu Cenair Maicá em 1969 e logo começaram a produzir e viajar juntos. Noel gravou o primeiro disco em 1971. Segundo Sampaio, a diferença daquilo que Guarany tocava se dava na temática das letras. "O seu primeiro LP 'Legendas Missioneiras' estabelece de maneira definitiva a digitação diferenciada da sua guitarra crioula e missioneira bem como as temáticas sociais, antropológicas, sociológicas, históricas e folclóricas", descreve o músico.

Outro artista que viveu a época é Jorge Guedes, 56 anos, que aprendeu a tocar o estilo missioneiro com Noel Guarany. Na época, Jorge foi convidado por Noel para gravar um disco e esse foi um dos impulsos para a sua carreira. "Ele me convidou para seguir na música missioneira porque ainda eram poucos. Disse que viu em mim um potencial para seguir na música e queria me apresentar como cantor missioneiro", lembra Guedes. A intuição que Noel teve deu certo e até hoje Jorge toca em shows com a família.

No mesmo movimento, Pedro Ortaça conta que na medida que foi crescendo na música conheceu sobre a República Guarani e o que o período representou para a região. Aos poucos ele ingressou na música missioneira junto com Noel, Cenair e Jayme. "Eu canto e procuro cantar já denunciando muitas injustiças como as que aconteceram com os índios guaranis e como agora acontece com os negros desta terra. Vemos que a discriminação continua", diz Pedro. Para ele, o estilo de cantar missioneiro é também sobre cantar a liberdade e denunciar as injustiças. "Nós não cantamos só flores, mas os espinhos também", ressalta Ortaça.

Um disco, muitas histórias

LP Troncos Missioneiros marcou a música da região reunindo Pedro Ortaça, Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Cenair Maicá / LARISSA BURCHARD/DIVULGAÇÃO/JC
 
"São quatro cernos de angico/ Falquejados na minguante." Assim começa a poesia Os quatro missioneiros, de Jayme Caetano Braun, escolhida para abertura do disco Troncos Missioneiros. A gravação ocorreu em 1988 pela gravadora USA Discos do produtor musical Theodoro Alex Honenberger. "Quando nós chegamos no estúdio o Jayme disse que fez uma poesia de abertura do disco. Eu nem queria ouvir porque eu já sabia que seria bom. Me arrepio até agora de lembrar", conta o produtor.
 
Quando teve a ideia do disco, Theodoro sabia que a música missioneira já tivera seu auge e os músicos que a criaram já estavam em fim de carreira. Noel estava com a saúde debilitada devido à uma doença degenerativa e Cenair havia realizado uma cirurgia que o deixara fraco. Os quatro músicos também já não viviam na região, exceto por Pedro Ortaça, o que tornava mais difícil o encontro. Mesmo assim eles aceitaram o convite.
 
A reunião dos quatro tornou o disco um clássico na região que até hoje os moradores se referem aos quatro troncos missioneiros como os grandes precursores da música. As 11 faixas se constituíram como um marco do estilo de tocar missioneiro e das letras que falam sobre a vida do gaúcho das Missões. Entre as músicas mais conhecidas estão Timbre de Galo, de Pedro Ortaça, na qual a letra também foi escrita pelo poeta são-borjense Apparício Silva Rillo, e Cepa Missioneira, de Cenair.
 
Foi na gravação da poesia Bochincho, de Jayme Caetano Braun, que Alex conta como fizeram a ambientação sonora. "Lembro que o Jayme queria que em um determinado trecho da poesia tivesse um barulho quando corta a gaita. Resolvi que na hora eu ia derrubar umas cadeiras e chutar uns bancos. Na hora, ele foi declarar e quando cortou a gaita eu chuto tudo e até machuquei meus pés. Sai rengueando no estúdio", narra o produtor.

Por onde anda a música missioneira hoje?

Mais de 30 anos após o lançamento dos Troncos Missioneiros, as músicas ainda repercutem e hoje encontram novos missioneiros, formando uma cultura que passa de geração em geração. Laura Guarany, 38 anos, cantora e filha de Noel, lembra bem das visitas de João Sampaio ao pai e de passar horas com eles ouvindo discos argentinos. Para ela, a música deles a ensinou a valorizar a vida simples no campo e a história reducional. "Quando pequena não entendia muito, mas fui crescendo e reconhecendo a imensidão do trabalho dele", comenta Laura. Hoje a cantora também é professora de técnica vocal e se dedica à música missioneira e ao folclore latino-americano.

Marianita Ortaça seguiu os passos do pai, mas foi além. Inspirada pela identidade missioneira, a psicóloga e empresária criou a grife "Marianita Ortaça" que busca trazer a cultura com a moda. Acompanhando o pai nos shows desde pequena, cresceu no meio e sempre foi incentivada a escrever sobre o que vivia, desenvolvendo o gosto pela cultura. Para ela, a música missioneira é algo que vai continuar, mas é preciso incentivar os jovens: "O maior desafio é mostrar a eles o que essa música representa, para que levem adiante essa riqueza que é a música da nossa terra, inspirada na preciosa história de amor, empatia, lealdade, liberdade e igualdade que os ancestrais Guaranis nos deixaram".

Outro descendente dos quatro troncos que procura preservar a música é Atahaulpa Maicá, 41 anos, músico e sobrinho de Cenair. Atahaulpa tem o nome do último imperador Inca e, assim como Marianita e Laura, a presença dos músicos na família teve grande influência. Ele conta que a família Maicá era integrada por oito irmãos homens que formavam quatro duplas de cantores. "Me lembro, quando era novo, muitas vezes ao invés de brincar com os amigos, estava em casa observando o trabalho do Cenair, que era um trabalho de cidadania", relata o músico. Atahaulpa já gravou dois discos e hoje ensina aos filhos sobre sua origem nas Missões: "Eles já têm outras influências, é interessante conhecer outras culturas, mas acho que tem que conhecer a sua também. Para mim, a pessoa rica é a pessoa que conhece de onde vem".

Não apenas nos descendentes ficou a marca da música. O locutor da rádio São Luiz João Ribeiro, 64 anos, conheceu Noel Guarany ainda pequeno e desenvolveu uma sensibilidade poética para observar São Luiz Gonzaga. "Dei asas à imaginação, fazendo rimas de fatos e de devaneios criativos com inspiração no cotidiano missioneiro", relata. Participante em diversos festivais, Ribeiro procura trazer em suas composições a simplicidade do campo e o emocional do Interior: "Quem adentra nesse mundo e convive vai ter a inspiração e elementos de sobra para fazer música e poesia". Assim, seja em São Luiz Gonzaga ou em outro lugar, a música missioneira ultrapassa fronteiras e é carregada no sentimento de cada morador.

Fonte! Chasque (reportagem) publicado no "Caderno Viver", encartado no Jornal do Comércio de Porto Alegre, edição dos dias 14, 15 e 16 de agosto de 2020, na "reportagem cultural", por Larissa Burchard (de São Borja (RS)). E nos potreiros da internet: https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/especiais/reportagem_cultural/2020/08/751378-pedro-ortaca-mantem-viva-a-musica-missioneira.html