quinta-feira, 13 de março de 2014

HOJE AMANHECEU CHOVENDO !

                     Buenas Gauchada!

                     "Hoje vou lonquear um couro preto e tirar uns tentos prá o laço.... Assim é a vida da gente no fundão de uma fazenda. Aproveito os dias de chuva prá aumentar minha renda, faço cinto e tranço corda que a indiada me encomenda. E hoje vou lidar com corda por que amanheceu chovendo...."

Enquanto avivo o fogo de chão com mais um galho de lenha de angico, vou “dando uma força” para o Walther Morais, cantando os versos que bem descrevem o dia que está começando.

Devagarito no más, vou sorvendo um amargo topetudo e aproveito a calma que ainda reina no galpão para organizar a lida. O terneiro que a brasina pariu renegou a teta e eu tenho que alimentar o guacho. Ontem de noite debulhei meio saco de milho e esse está reservado para alimentar as poedeiras e, daqui a pouco – é só dar uma estiadinha – vou arrocinar o pingo Mouro.

O crepitar da lenha seca, atiçando as labaredas, me faz lembrar o convite feito no chasque anterior, aos amigos que quisessem matear e charlar comigo. Vários aceitaram a invitação. Alguns me telefonaram, disseram que estava tudo muito bonito e que em outra ocasião, sem dúvida, viriam para o entreveiro.

Mas dois amigos de primeira hora - a Nice e o Clóvis - não se fizeram de rogado: enveredaram para o galpão. Arreganharam as portas, levantaram as folhas das janelas para dar uma arejada na fumaça, arrebanharam um par de cepos e passando a mão na alça da cambona preta, se enfiaram comigo no bate-papo e no chimarrão. O mate tava mais gostoso do que caramelo de castelhano e a charla mais espichada do que taquara de beira de corredor.

Outros dois que deram ôh de casa foram o Mário Amaral e o Wilson Tubino. Amigaços, poetas da mais pura cepa e grandes batalhadores em prol da cultura terrunha.

O Mário, confrade do Recanto do Sabiá, trouxe na mala de garupa um convite para o “20º Encontro Cultural e Artístico Recanto do Sabiá”, que se realizará de 13 a 16 de março, na barranca esquerda do Rio Ijuí-Mirim, no Município de Entre-Ijuís e o Tubino trouxe seu livro “A Fazenda do Tchêzito”. 

Aproveitando a “Charla”, o amigo informa que esta já é a terceira edição e completa dizendo que a obra é cultura, tradição e folclore do Rio Grande do Sul para crianças de todas as idades.

Bueno, A “Charla” ainda estava pelo meio quando mais dois parceiros se achegaram: o Jairo Velloso e o Léo Ribeiro.

Os dois vieram para matear e charlar comigo, trazendo cada um a sua maneira, a razão que nos motivou a dar cria a     “Charla de Peão”: a diversidade essencial da alma gaúcha.

O Jairo é cuera da Bossoroca, de alma missioneira e uma das tronqueiras que sustenta a peleia pela cultura gaúcha naquelas plagas gaudérias e o Léo, é taura lá de Contendas, com cerne serrano e que aquerenciado na Capital, espraia de forma magistral a cultura nativa por todos os rincões da querência.

Parceiros, mil gracias pela garupa.

Tchê, se tu quiseres mais trela com algum dos parceiros, no final deixo o e-mail de contato e se o sentimento pelo Rio Grande também faz o teu coração corcovear, entra e pega o banquito, pois a prosa está correndo solta e o chimarrão está encilhado. Te aprochega, enquanto eu vou lonquendo uns tentos, porque hoje amanheceu chovendo.

Fonte! Coluna Charla de Peão, por Juarez Cesar Fontana Miranda (poeta nativista), publicada no Jornal Regional do Comércio, Cidreira (RS), edição do dia 11 de março de 2014. Contatos com o colunista, mande um chasque para juarezmiranda@bol.com.br 

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