domingo, 22 de maio de 2016

TRÊS TAURAS DO VERSO

Dia quinze de maio fez um ano que desencarnou o poeta regionalista gaúcho, OACY LIMA ROSENHAIM, natural de Rosário do Sul, que viveu sempre aqui no Estado. Foi goleiro famoso no Avenida de Santa Cruz na década de 60, e se consagrou atacando cinco pênaltis no estádio do Beira Rio, que impressionou o mundo futebolístico nacional, tanto que o Palmeiras veio busca-lo e ele não aceitou de medo da cidade grande. Daí o Palmeiras contratou o Leão! De Santa Cruz, Oacy como vendedor de produtos veterinários, se cambiou para Uruguaiana, terra de sua amada mulher - Inocência de Abreu Rosenhaim, e só saiu da fronteira em 1987.

Formado em história, veio para a Capital e apesar de gremista doente, foi ser funcionário administrativo no S.C.Internacional, onde se aposentou e começou a inscrever letras nos festivais nativistas e publicar livros de poesias. O sucesso poético veio junto com vários parceiros musicais, em especial com José Cláudio Machado, com quem ganhou uma edição da Coxilha Nativista, com a obra que o refrão deflagra o título da letra que diz:  – O MEU CANTAR GALPONEIRO TRAZ A MARCA DA QUERÊNCIA, E PROVA A SUA EXISTÊNCIA CEVADA NO MATE AMARGO, E QUEM ACEITA O ENCARGO DE CAMPEIRO CANTADOR, SABE QUE É FIADOR DA MEMÓRIA DO SEU PAGO...

Curiosamente no dia dezesseis de maio, marca a existência de mais dois gigantes do verso gaúcho, FIADORES DA MEMÓRIA DO MEU PAGO, como Oacy (mais conhecido como cachimbo no meio nativista) escreveu no Cantar Galponeiro, pois foi o dia da morte de Kenelmo Amado Alves, natural do Itaqui, deste muito cedo vivendo em Uruguaiana, considerando-se e considerado cidadão da cidade farroupilha. Kenelmo inundou o Estado de boas letras, musicadas em maioria pelo seu filho Chico Alves, sem nunca escrever bobagem, deixando-nos muita saudade de seu estilo especulativo e épico, como: SABE MOÇO, QUE NO MEIO DO ALVOROÇO, TIVE UM LENÇO NO PESÇO QUE FOI BANDEIRA PRA MIM, QUE ANDEI POR MIL PELEIAS, EM LUTAS BRUTAS E FEIAS, DÊS DO COMEÇO ATÉ O FIM.

E disse que tinha além de Oacy e Kenelmo, outro mestre da poesia a ser homenageado no dia 16 de maio, pelo seu nascimento, me refiro ao mago Antônio Augusto Ferreira, cria de São Sepé, escritor e dono de genial inspiração, sempre abordando com excelência, temas de cunho social, filosóficos e de gauchismo.

É dele a LETRA da celebre obra VETERANO, que faz uma profunda reflexão sobre a vida e seu fim, que diz: ESTÁ FINDANDO MEU TEMPO, A TARDE ENCERRA MAIS CEDO, MEU MUNDO FICOU PEQUENO, E EU SOU MENOR DO QUE PENSO, O BAGUAL TA MAIS LIGEIRO, O BRAÇO FRAQUEJA AS VEZES, DEMORO MAIS DO QUERO, MAS ALÇO A PERNA SEM MEDO; ENCILHO CAVALO MANSO, MAS BOTO O LAÇO NOS TENTOS, SE FORÇA FALTAR NO BRAÇO, NA CORAGEM ME SUSTENTO; SE LEMBRO TEMPO DE QUEBRA, A VIDA VOLTA PRA TRAZ, SOU BAGUAL QUE NÃO SE ENTREGA A ASSIM NO MAIS...

Pois bem amigos, os três tauras, Oacy, Kenelmo e Ferreira, que hoje mateiam ao pé do fogo no galpão celestial, foram baguales, não se entregaram a sim no mais, se foram e deixaram pra traz letras que dão sentido à vida, que nos fazem mais gentes, mais valentes do que nunca, certos de que não tá morto quem peleia, que vale a pena dar um grito de “quiribibio-chuchu” nas manhãs de primavera, porque projeta um legado além da nossa existência.        

Para pensar: Fazer poesia é já viver no céu, por isso os poetas não morrem!

Fonte! Chasque semanal Regionalismo, por Dorotéo Fagundes de Abreu. 

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